08 de julho de 2026
Geral

Autopeças, papel e alimentos impulsionam vagas de emprego

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.

Nível de emprego no setor de autopeças foi o que mais cresceu

Mesmo diante da desaceleração da economia no País e no cenário internacional, as indústrias da região de Bauru continuam abrindo novas vagas de emprego. Impulsionados pelos setores de autopeças (baterias), papel e produtos alimentícios, os 17 municípios que compõem a regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) registraram um saldo de aproximadamente 1.200 novos postos de trabalho entre janeiro e setembro.

A variação acumulada no ano, de 4,69%, é maior do que a média da Capital (0,54%), da Grande São Paulo (1,05%) e do Estado (3,87%). Apenas em setembro, a região apresentou índice positivo de 0,8%, o que significou acréscimo de cerca de 200 vagas em comparação a agosto.

O resultado mensal colocou Bauru na quarta posição do ranking do Ciesp, atrás apenas de Matão (1,80%), Jacareí (1,50%) e São José dos Campos (0,84%). Das 36 diretorias regionais, apenas 13 registraram variações positivas.

Conforme explica Domingos Malandrino, diretor do Ciesp em Bauru, a região possui um parque industrial diversificado, condição que proporcionou resultados considerados satisfatórios em termos de produção e emprego, mesmo com o arrefecimento dos negócios no mercado interno e externo. “Enquanto as outras regiões do Estado estão bem mais defasadas, Bauru mantém uma certa estabilidade porque não concentra grande parte da mão de obra em um único setor, que poderia ser afetado pela crise econômica mundial. Sem essa dependência, as chances de obter bons resultados são maiores”, detalha.

Em agosto, a região de Bauru já havia sido líder do ranking do Ciesp por gerar 550 novos empregos. Em julho, tinham sido criadas outras 100 vagas. Em setembro, o bom desempenho de setores como o de autopeças (cujo nível de emprego cresceu 1,72%), celulose e papel (1,26%) e produtos alimentícios (1,05%) foram os que mais ajudaram a alavancar as contratações.

No segmento de autopeças, destaca-se em Bauru a produção de baterias automotivas, com pelo menos três grandes indústrias que se beneficiaram do grande aumento da comercialização de automóveis em todo o Brasil. Somente na cidade, a cada mês entram em circulação cerca de 1.350 novos veículos.

 

 Classe média

Além das isenções fiscais oferecidas pelo governo federal, o fenômeno só foi possível devido à ascensão de um grande percentual populacional à chamada “nova classe média”. O crescimento do poder de compra do bauruense motivou ainda o aumento do consumo de bens perecíveis, incluindo produtos que não são considerados de primeira necessidade, como doces e gomas de mascar, que também são produzidos no município. Já o segmento de papelaria foi estimulado pela aquisição, neste ano, de dois novos pontos fabris por uma grande indústria local.

Mas, segundo Malandrino, a crise instalada nos Estados Unidos e países da Zona do Euro ainda provoca forte impacto no setor industrial bauruense, que depende, e muito, das exportações para manter sua produção. “Os efeitos de qualquer crise financeira ocorrem em cascata e a indústria é a primeira a ser afetada”, observa.

Por este motivo, ele argumenta que o volume de contratações ainda se mantém tímido em comparação ao que foi registrado no ano passado, mas aponta que a tendência é de aumento no ritmo de admissões neste último trimestre de 2011, devido à sazonalidade característica da região. “Setores como o de baterias automotivas, vestuário, materiais escolares e alimentos começam a acelerar suas produções agora, para atender a uma demanda que cresce no final e início de cada ano”, detalha.

Para 2012, Malandrino acredita que o nível de emprego não registrará índices significativos ao menos no primeiro semestre, também em função dos reflexos da crise. “A recuperação precisa ocorrer em nível mundial e este processo é lento. Nos próximos anos, o Brasil sediará a Copa do Mundo e as Olimpíadas, que devem estimular bastante a indústria. Mas isso não deve acontecer no início do ano que vem”, avalia.