07 de julho de 2026
Internacional

Obama eleva tom e pede sanções ao Irã


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Washington - O presidente dos EUA, Barack Obama, elevou o tom contra o governo do Irã, cujo comportamento chamou de "perigoso e irresponsável", e disse que o país está sujeito às "mais duras sanções possíveis" pelo suposto plano para matar o embaixador saudita em Washington.

Em entrevista coletiva ao lado de Lee Myung-bak, presidente da Coreia do Sul - com quem os EUA acabaram de assinar um tratado de livre-comércio -, Obama afirmou que "nenhuma opção está descartada" na ação de seu governo contra o Irã.

Em linguagem diplomática, a frase é usada para dar a entender que existe a possibilidade de uma ação militar.

Obama disse, ainda, que é necessário mobilizar a comunidade internacional para que o regime iraniano fique "cada vez mais isolado e arque com as consequências do seu comportamento".

O Tesouro americano, por sua vez, informou estudar novas sanções contra o banco central do país persa. Hoje, na prática, instituições financeiras dos EUA já não fazem transações com bancos iranianos; o governo quer, porém, apoio de outros países.

O Irã voltou a negar a existência de um complô para promover o atentado na capital americana. Em raro pronunciamento, o vice-comandante da Guarda Revolucionária iraniana, Hossein Salami, disse que a acusação é "risível e sem fundamento".

Em entrevista à rádio estatal, o chanceler iraniano, Ali Akbar Salehi, afirmou que o país não tem "nenhum problema" com a Arábia Saudita. Para ele, é do interesse dos "inimigos do Irã" que os vizinhos no golfo Pérsico não mantenham boas relações.

O relacionamento entre os sauditas e os iranianos, porém, não é bom desde a Revolução Islâmica de 1979, que levou os xiitas ao poder no Irã - além de a Arábia Saudita ser um dos principais aliados dos EUA na região, a monarquia é muçulmana sunita.

Em visita à Áustria, o chanceler saudita, Saud al Faisal, afirmou haver provas de que o Irã é responsável pela trama e que não é a primeira vez que o país persa se "intromete" em assuntos árabes - mas pediu uma resposta "cautelosa". Os dois países estão entre os principais produtores de petróleo do mundo.

Trama duvidosa


Na terça-feira, os EUA anunciaram o indiciamento de dois iranianos por, segundo o governo, tramar o assassinato do embaixador Adel al Jubeir com o auxílio de narcotraficantes ligados ao cartel Zetas, do México.

Um dos iranianos, Manssor Arbabsiar, tem cidadania americana, foi preso em Nova York no último dia 29 e teria confessado. O outro, Gohlam Shakuri, estaria no Irã e seria ligado à Força Quds, grupo de elite da Guarda Revolucionária Iraniana.

Com exceção da suposta confissão de Arbabsiar, os americanos não divulgaram, até agora, outras provas da existência da trama, vista como improvável por alguns especialistas em narcotráfico e em terrorismo.