10 de julho de 2026
Regional

Passeio noturno ao cemitério de Jaú tem média de 50 visitantes

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Fazer um passeio noturno ao cemitério não é um convite que a gente possa aceitar de imediato. Envolve mitos, histórias e exige muita coragem, apesar do apelo cultural. A tese que, a primeira vista, pode parecer unânime, não é. Muita gente â??esqueceâ?? as histórias macabras e se arrisca a conhecer a arte cemiterial. O projeto desenvolvido em Jaú é o único que acontece no Brasil com frequência. Mais de 300 pessoas já cumpriram o roteiro cultural e turístico que está sendo desenvolvido desde maio de 2010.

Os passeios noturnos acontecem pelo menos uma vez ao mês e é gratuito, trata-se de um projeto desenvolvido pela Secretaria Municipal de Cultura e envolve educação patrimonial. A idéia não é inédita. Já acontecia em Bagé, no Rio Grande do Sul, e no Cemitério da Consolação, em São Paulo, mas não com a mesma periodicidade. 

A novidade conquistou os moradores e a população da região. Começou com 15 pessoas e já atingiu a média de 40 por visitas. Na sexta-feira, 13 de maio deste ano, eram 130 visitantes contra 80 no mesmo dia no ano anterior, comenta o guia dos visitantes, Júlio Polli.

â??Na verdade, não tem nada de tenebroso. Ã? um lugar silencioso, bacana. Como fica na parte alta, de lá é possível vislumbrar boa parte da cidade. O cemitério fica iluminado. O passeio começa às 20h e termina por volta das 22h. O ponto de encontro é o velório municipal que fica ao lado do cemitério municipal. Como a visitação depende das condições climáticas, a data é marcada com 15 dias de antecedência. Os interessados podem consultar  sobre a data na Secretaria da Culturaâ?, informa.

O público é eclético, com um ponto em comum, a curiosidade. â??Trabalhamos com duas vertentes, estudantes e moradores. Usamos o cemitério para falar sobre a história de Jaú. O pessoal presta muita atenção e participa. Já aconteceu de visitante não entender a proposta e achar que estávamos brincando. Tivemos que situar a pessoa no lugar dela. â??O  passeio visa ajudar no desenvolvimento do turismo  com um novo atrativo. No cemitério da Consolação, em São Paulo, tem um roteiro semelhante, mas não é constante.â?

O passeio em cemitérios, segundo Polli, ocorre em quatro cidades do Estado de São Paulo. â??Trabalho turístico em cemitério com monitores durante o dia ocorre em Guarulhos e Piracicaba. Noturno, na Consolação, em São Paulo, e Jaú. Constante, só em Jaú. Temos um acervo cemiterial fantástico, cheio de símbolos.â?Â 

 

Visita contempla cerca de 40 túmulos

Para determinar quais as sepulturas mais interessantes do cemitério de Jaú, Polli teve que fazer uma seleção. â??O critério utilizado foi arquitetura de arte cemiterial simbólica, personagens da cidade, curiosidades e mitos populares. Todos os jazigos são interessantes e optei pelo principais, cerca de 40. Procurei privilegiar esses, mas estou estudando um novo itinerário, mais específico.â?Â 

Serviços

Facebook: Júlio Polli

Blog: historiadejaú@hotmail.com

 

Paradas obrigatórias

Durante o passeio noturno no cemitério, o visitante tem que fazer algumas paradas obrigatórias para conhecer algumas histórias que não estão nos livros. São â??contosâ?? populares que passam de geração em geração e â??verdadesâ?? questionáveis que, para alguns, são inquestionáveis.

 

â??Eu fui e indicoâ?, recomenda universitária

A empresária e universitária Thany Gabus Pollini, 28 anos, participou do passeio noturno ao Cemitério Municipal Ana Rosa de Paula, em Jaú. Desde então, passou a valorizar mais o tempo e a refletir sobre como a vida é passageira.

 â??Foi muito bacana. Senti que muitos visitantes foram movidos pela curiosidade. Eu fui para apreciar a arte cemiterial. Já havia visitado um cemitério antes, quando era mais jovem. Não tenho medo de almas perdidas, mas as baratas incomodam.â?

Na opinião dela, a visitação proporciona momentos de nostalgia, agrega informação cultural, além de ser um lazer inteligente. â??O cotidiano não permite que a gente se desligue dos problemas. O passeio faz a gente esquecer por algumas horas e mostra que o tempo voa.â?

A empresária diz que uma imagem que marcou demais foi a ampulheta com asas. â??Parei e pensei como eu estava aproveitando o tempo de vida. Será que não era melhor eu tirar o pé do acelerador? Foram momentos de muita reflexão.â?


Eu testei os poderes da caveirinha

Júlio Polli é estudante de história e se dedica especialmente à história de Jaú. Montou o projeto de visitação noturna que é desenvolvido pela secretaria de Cultura da cidade. O sucesso da â??empreitadaâ??, de acordo com ele mesmo, contou com a força da caverinha.  

â??Esse túmulo tem uma estátua (caveirinha) na altura dos pés. O pessoal enfia dois dedos na cavidade ocular e faz o pedido. No começo do projeto, eu cumpri o ritual e pedi que o número de pessoas (visitantes) aumentasse e o projeto continuasse. Passado pouco mais de um ano, percebo que fui atendido.â?