08 de julho de 2026
Regional

Mercado de urnas segue tendências

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

A cidade de Cabrália Paulista (45 quilômetros de Bauru) é conhecida em toda a região por abrigar várias fábricas de urnas funerárias. Duas são consideradas grandes e as demais, de pequeno porte. Para o município, com pouco mais de quatro mil habitantes, o segmento responde por aproximadamente 20% da economia.

Apesar de não ser um mercado em expansão, fabricar urnas funerárias exige uma dose de conservadorismo somado a uma porção de ousadia, conforme explica o empresário do setor Jose Roberto Amor.

“Não há modismo no setor. É preciso total respeito. Mas atendemos a demanda do momento. Fabricamos urnas com as cores do time preferido, do santo de devoção. Há oito meses estamos fabricando a urna funerária da diversidade.”

O ‘caixão’, como é popularmente chamado, é pintado de branco e tem a bandeira da diversidade estampada. “Alguns clientes pediram e estamos fabricando. Acredito que vá vender, porque está tendo uma abertura maior para a liberdade de expressão. Antigamente, era quase que proibido falar em homossexualismo. Hoje, as pessoas têm menos preconceito. Então, por que não atender a pessoa que quer ser enterrada defendendo a bandeira dele?”

Para atualizar o setor, segundo o empresário, anualmente é realizada uma feira. Este ano, o evento foi realizado em Santos. É ele quem dita a ‘moda e as tendências’ das urnas e dos equipamentos usados em funeral. “As urnas com emblemas de time fabricamos sob encomenda.”

Desde 79 apostando nesse mercado, Amor entende que o mercado é muito competitivo, uma vez que cada pessoa usa a urna uma única vez. “Roupas, sapatos e outros produtos são adquiridos muitas vezes durante uma vida. O caixão é um só. Todo mundo vai ter que comprar uma urna, mas até chegar esse momento já comprou quantas peças de roupa, por exemplo?.”

Na opinião dele, a família deveria pensar que o ente querido gostaria de ir bem trajado no seu último evento: o velório. “Se uma pessoa vai a um baile, com certeza quer  ir elegante. Por que não ir ao último evento bem trajado? Num caixão de luxo, não é verdade?  Seu pai vai a um casamento, você  não quer que ele vá maltrapilho, quer que ele vá de terno e gravata. O dia que ele morrer, a família deveria pensar dessa forma, vou dar o melhor para ele ir para o além.” 

O fabricante diz que a produção mensal atinge de cinco a seis mil unidades, que são distribuídas para todo o Brasil e até para o exterior. “Entrego caixões de Manaus ao Rio Grande do Sul. Vendo muito aqui nessa região próxima. As peças mais vendidas são as mais simples, até porque esse público é  em maior número em todo o País. As regiões Norte e Nordeste do País são campeãs em aquisição de urnas de luxo. Lá o pessoa dá mais importância para o ritual funerário.”  


Urnas específicas

Para cada  região do Brasil há produtos específicos, com comprimento diferenciados ditados pelas necessidades e superstições que envolvem a morte.

O empresário Nivaldo Betone, que desde 1990 fabrica caixões em Cabrália Paulista, diz que a obesidade fez o setor repensar o formato das urnas. “A população obesa cresceu e tivemos que estudar outra largura para as urnas. Uma necessidade que exige novos formatos. Temos a peça específica para gordos e supergordos.” 

Outra curiosidade do setor é que a medida das urnas nos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, são de 10 em 10 centímetros. “No resto do Brasil, as medidas são padrão, 1.80, 1.90 e 2.10 metros. Nos dois Estados da Federação, as urnas medem: 1.70, 1.80,1.90, 2.00 e 2.10.” 

Segundo ele, as mais vendidas são os caixões de Fundo Mútuo. “Os mais simples. Os de luxo possuem acabamento em tecido e renda. Esses, o acabamento interno é de papelão. O acabamento das alças também é um diferencial. Os de luxo, tem alças de bronze e materiais mais requintados.”

Betone confirma que as urnas luxuosas são mais vendidas nas regiões norte e nordeste do país. “Lá são poucos os fabricantes que fazem luxo, porque as mais vendidas são as simples. Então, as funerárias dessas regiões compram daqui.”