08 de julho de 2026
Geral

Manuseio incorreto de lixo eletrônico pode causar câncer

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 3 min

Para contribuir com a destinação correta de equipamentos e componentes eletrônicos e evitar a contaminação de quem manipula esses aparelhos e do meio ambiente, o Grupo Ação, Gestão e Responsabilidade (AGR), um braço de trabalho da Ong Bauru Transparente (Batra), recolheu de mouses a placas de computador, além de fones de ouvido, caixas de som, entre diversos equipamentos, em Bauru. Embora aparentemente seguros, equipamentos e componentes eletrônicos contêm substâncias altamente tóxicas para o homem e para o meio ambiente. Em contato constante e permanente com essas substâncias, ao longo do tempo, a pessoa pode desenvolver doenças graves, como o câncer.

A campanha de recolhimento foi promovida durante a segunda edição do Festival Canja, em junho desse ano, e resultou em uma grande quantidade de material recolhido. A destinação correta do lixo eletrônico será feita por uma organização especialista em logística reversa, coleta, descontaminação e reciclagem desses materiais. A entrega oficial foi feita, no início do mês, na sede da Batra para a representante da instituição especializada na reciclagem e destinação corretas, que alertou sobre o perigo representado pelo lixo eletrônico.

Mariana Lorencinho, explicou que o AGR mantém ações voltadas para a área social e de preservação do meio ambiente, e durante o Festival Canja foram várias palestras, oficinas e outras atividades sobre reciclagem de lixo eletrônico, além do lançamento da campanha, que visava justamente recolher o maior número possível de material. "O importante é que as pessoas conheçam isso, porque muitas ainda jogam equipamentos no lixo convencional e é um perigo tanto de contaminação da terra e dos mananciais como das próprias pessoas que lidam com ele", ressaltou a integrante do AGR. Apesar do reflexo positivo da campanha, Lorencinho lamenta a falta de consciência que ainda impera entre as pessoas, sobre a destinação correta do lixo.

O grupo AGR nasceu entre alunos da Universidade Estadual Paulista (UNESP) e é ligado à Batra, através da ala jovem da ong.

Além das doações recebidas durante o festival cultural, outras peças foram entregues durante as aulas na universidade, motivadas pelos integrantes do grupo como Taís Machado e Mayra Gianoni.


Ecopontos

Em parceria com a Prefeitura Municipal de Bauru, a instituição também promove palestras na rede de ensino para conscientizar crianças e jovens sobre a importância de separar e mandar o material eletrônico para o local correto. Também estão sendo instalados ecopontos na cidade, para que as pessoas possam fazer o descarte direto. Um deles fica próximo ao Confiança Max, da avenida Getúlio Vargas.

A instituição também recolhe equipamentos gratuitamente e entrega um certificado de destinação correta, importante para empresas que buscam ou já possuem certificação.


Altamente tóxicos

A engenheira ambiental Milena Lozano, que representa a organização que recebeu os equipamentos doados pelo grupo AGR, também alerta para o risco desse tipo de material provocar doenças graves como câncer, por conta de componentes altamente tóxicos.

"As placas de computador, tubos de televisão e monitores, telas de LCD contêm componentes como cádmio, fósforo em alta concentração, níquel e principalmente chumbo, que em contato com ser humano pode causar intoxicação ou mutação no meio ambiente. Cada peça de computador tem concentração elevada desse tipo de substância. O risco aumenta principalmente quando o material quebra e libera gás, que pode ser inalado pelas pessoas, que também podem entrar em contato com pó. Como não é algo instantâneo, (esse contato) vai desenvolvendo principalmente câncer", explicou.

A instituição representada pela engenheira possui autorização para recolher e destinar o material eletrônico inservível, de acordo com a profissional. Além das parcerias com empresas, também mantém iniciativas com instituições de ensino e entidades filantrópicas. "Pelo descarte de material ser ainda uma coisa muito nova, falta consciência das pessoas. As pessoas deixam na porta da casa para o caminhão de lixo doméstico levar, sem saber os poluentes que esses equipamentos possuem e o risco para quem está lidando com ele".