Brasília - O ministro Orlando Silva voltou a atacar na tarde de ontem o policial militar João Dias Ferreira, que fez as acusações de que ele recebia propina de entidades do programa Segundo Tempo. Silva também disse que vai pedir para “acelerar” as investigações e o julgamento dos processos que envolvem as entidades do denunciante.
O ministro compareceu ontem à audiência conjunta na Câmara dos Deputados das comissões de Fiscalização Financeira e Controle e de Turismo e Desporto. Foi o próprio ministro que acertou sua ida para a Câmara para esclarecer as denúncias contra ele.
Ele começou apresentando todas as suas ações na pasta e depois passou a atacar o policial Militar. “Quem faz a agressão? Eu aconselho que procurem informações. Trata-se de um desqualificado, um criminoso, uma pessoa que foi presa, uma fonte bandida”, disse o ministro. Ele foi aplaudido em diversos momentos e ouviu gritos de apoio no plenário, formado praticamente apenas por governistas.
Silva disse que vai pedir ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas da União para “acelerar” os trâmites das ações contra o policial militar, que pode precisar reembolsar os cofres públicos com os recursos que haviam sido repassados pelo programa Segundo Tempo e que não foram usados.
O ministro também exigiu mais uma vez as provas em relação às denúncias do último fim de semana e contou que houve “insinuações” de ameaças por seus acusadores no passado. “Se há o que denunciar, que faça. Faça e prove o que diz. Até aqui esse desqualificado falou e não provou o que diz. Quem tem provas do mal feito por eles sou eu e elas estão aqui.”
Na mesma audiência, o deputado federal Vaz de Lima (PSDB-SP) também entregou um requerimento para a instalação de uma CPI para apurar as denúncias de irregularidades no programa Segundo Tempo.
Terreno
O ministro disse que a aquisição de um terreno de R$ 370 mil em Campinas foi totalmente regular. Silva disse que sabia que havia dutos da Petrobras na região, mas desconhecia qualquer plano para desapropriar a área.
“É o único bem que possuo e comprei com um cheque pessoal. Fiz questão de colocar na escritura o número do cheque pessoal”, disse em coletiva. “Corresponde ao valor das economias ao longo de toda a minha vida.”
O ministro ressaltou que a área não faz parte de condomínios. “Tanto a existência de dutos como estar fora de condomínios faz com que essa área tenha um valor menor.”
Por conta da existência de dutos, havia a possibilidade de desapropriações na região, o que poderia resultar em valores maiores que os investidos. A Petrobras divulgou uma nota informando que não há previsão para desapropriar terrenos na área.
Dois integrantes de um suposto esquema de desvio de recursos do Ministério do Esporte acusam Silva de participação direta nas fraudes, segundo reportagem publicada pela revista “Veja”.
O soldado da Polícia Militar do Distrito Federal João Dias Ferreira e seu funcionário Célio Soares Pereira disseram à revista que o ministro recebeu parte do dinheiro desviado pessoalmente na garagem do ministério.
Localizado pela reportagem, Pereira confirmou a acusação contra o ministro. Orlando Silva afirmou que já acionou o ministro da Justiça para que a Polícia Federal investigue o esquema relatado.
O ministro disse ainda que as acusações podem ser uma reação ao pedido que fez para que o TCU investigue os convênios do ministério com a ONG que pertence ao policial autor das denúncias.
Em nota, o Ministério do Esporte disse que João Dias firmou dois convênios com a pasta, em 2005 e 2006, que não foram executados. O ministério pede a devolução de R$ 3,16 milhões dos convênios.
De acordo com o ministro, desde que o TCU foi acionado, integrantes de sua equipe vêm recebendo ameaças.
Esquema no Esporte
Brasília - O policial militar João Dias Ferreira, denunciante de um suposto esquema de desvio de recursos no Ministério do Esporte que seria comandado pelo titular da pasta Orlando Silva, disse ontem ter provas do esquema e se colocou à disposição do Congresso e do Ministério Público. “Muito em breve vocês terão provas e áudio”, disse o policial militar a jornalistas após encontro com líderes da oposição no Senado. “Não sou criminoso, nem bandido. Em pouco tempo vamos saber quem é quem.”
João Dias afirmou ter uma gravação de uma reunião da qual participou no ministério em 2008 que provaria a existência do esquema. Ele também disse ter documentos que provariam suas acusações.
Indagado para que desse mais detalhes sobre essas provas, o policial militar afirmou apenas que “muitas coisas ainda estão por vir”. “Estou à disposição do Ministério Público, do Senado e da Câmara. Não temos nada a temer.”, afirmou.
O policial acusa a existência de um esquema de desvio de dinheiro público destinado a convênios entre o Ministério do Esporte e organizações não-governamentais.