08 de julho de 2026
Política

ONG denuncia possível desmatamento

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Edson Prates/Acorda Bauru

ONG Acorda Bauru denuncia desmatamento no bosque do Parque União. Prefeito diz que foi limpeza.

O grupo Acorda Bauru denunciou ontem, através de sua página no Facebook, um possível desmatamento ocorrido no Bosque do Parque União, em plena zona norte da cidade, feito pela prefeitura. Consultado ontem à noite, o prefeito Rodrigo Agostinho disse tratar-se apenas de uma limpeza da área. Mas um ambientalista ligado ao Acorda Bauru discorda. Com isso, a Cetesb e outros órgãos poderão ser acionados para verificar se foi desmatamento ou limpeza.

Rodrigo disse ao JC que apenas pés de mamona e de leucena (arbusto rasteiro e forrageiro) foram retirados e que a “limpeza” era uma reivindicação de quase 10 anos dos moradores do bairro. “Nenhuma árvore foi cortada”, assegurou o prefeito. O bosque foi criado em 1995.

Rodrigo disse que há uma erosão bem no meio do bosque. A limpeza ou desmatamento se deu em um dos lados da erosão que, na verdade, é uma nascente de um córrego, segundo o ambientalista consultado pelo Jornal da Cidade.

Segundo o ambientalista, o bosque é uma Área de Proteção Permanente (APP), por constituir mata de cerrado.

     Edson Prates, membro da ONG e autor das fotos que estão nesta edição, afirmou na página do Acorda Bauru acreditar que não foi apenas um trabalho de limpeza. “Se foi, fizeram muito bem feito. Estive conversando com vários moradores, que se mostraram indignados, disseram que algumas pessoas se manifestaram contra, mas nada adiantou. Havia muitos ninhos e muitos pássaros, além da mata. Não sabem quem autorizou a derrubada, mas disseram que o prefeito Rodrigo Agostinho esteve lá ontem (anteontem)”, postou Prates, no Facebook.

O biólogo e dirigente do PV Clodoaldo Gazzetta discutiu com a ONG o assunto e sugere que o Ibama também seja acionado para verificar, pois é responsável pelas APPs. “A gravidade da ação está diretamente relacionada com o desmatamento de vegetação nativa em área de preservação ambiental”, disse Gazzetta.

 

Polêmica antiga

Em 2007, a ONG Naturae Vitae denunciou o so-terramento do poço localizado no bosque do Parque União. Para a ONG, poderia ter havido crime ambiental, já que no local havia um nascente de um afluente do córrego Água do Castelo.


Naquele mesmo ano, em setembro, o garoto Rodrigo Romani Inácio, 11 anos, morreu afogado no poço. Ele foi a quarta vítima de afogamento no local. Um dia depois, a Semma (Secretaria do Meio Ambiente) soterrou o poço com seis caminhões de pedras. No dia do afogamento, não existiam grades ou vigias para proibir a entrada de pessoas no local.


O advogado da ONG, José Hermann Schroeder, disse que o município não poderia ter aterrado o poço sem autorização de órgãos federais e estaduais. O secretário do Meio Ambiente, na época, era Rodrigo Agostinho. Posteriormente, o Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais (DPRN), órgão vinculado à Secretaria Estadual de Meio Ambiente, fez vistoria no local e considerou a operação regular. Ainda em 2007, o bosque ganhou 200 mudas de árvores nativas. Teriam sido arrancadas agora?