09 de julho de 2026
Turismo

Eu estive lá Parte II: Santa Fé do Sul


| Tempo de leitura: 5 min

Julho de 2011- fui convidado a ministrar duas aulas no curso de Odontologia da Faculdade Municipal da FUNEC que possui outros cursos com formação universitária. Por curiosidade, segundo informações obtidas no Conselho Federal de Odontologia, somente as cidades paulistas de Santa Fé do Sul, Adamantina, Catanduva, Taubaté e Barretos, possuem faculdades de odontologia municipais.

Distante 350 km aproximadamente de Bauru (rodovia Marechal Rondon até Araçatuba e depois segue-se para Jales, até a rodovia Euclydes da Cunha), 624 km de São Paulo e 188 km de São José do Rio Preto, está às margens de um dos lagos do rio Paraná.   À educação exemplar de seu povo, fui exposto logo ao chegar à cidade e pedir informações sobre a localização do hotel.

É interessante conhecer uma ponte rodoferroviária, que liga os estados brasileiros de Mato Grosso do Sul e São Paulo sobre o Rio Paraná, unindo a cidade sul-matogrossense de Aparecida do Taboado à cidade paulista de Rubinéia. Foi inaugurada em 29 de maio de 1998, após um investimento de mais de R$ 800 milhões pelos governos federal e de São Paulo. A construção ficou a cargo da construtora brasileira Constran. Possui quatro faixas de rolamento para veículos rodoviários na parte superior, duas em cada sentido, ligando as rodovias Euclides da Cunha (SP-320) e BR-158, sendo importante ligação entre as regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Na parte inferior possui uma via ferroviária.Sua construção possibilitou a conclusão da ferrovia Ferronorte, que liga a malha ferroviária do estado de São Paulo à cidade de Alto Taquari, no estado de Mato Grosso, permitindo o escoamento da produção de grãos de parte do Centro-Oeste brasileiro. Sua extensão total é de 3.700 metros, sendo portanto a maior ponte fluvial brasileira. Cada vão possui 100 metros de extensão. Na sua construção foi utilizada uma plataforma flutuante alemã, ficando durante alguns anos abandonada ao lado da ponte. Em execução judicial pelo não pagamento da mesma ao credor, ela foi arrematada em leilão. Nessa obra foi utilizado pela primeira vez um sistema de alerta de tempestades específico para essa obra. O meteorologista responsável, mais conhecido como o "homem do tempo", se chamava Nilo José do Nascimento Franco. E com este monitoramento não ocorreram vitimas, em função das intensas tempestades que ocorriam na região.

Cidade muito limpa, com avenidas largas, 8 monumentos ( à noite muito bem iluminados), museu a céu aberto, praças dos esportes radicais, das águas dançantes, do folclore brasileiro entre outras, mantém um programa de incentivo ao artesanato rural da região. Possui também a maior rede de ranchos(315) , sendo 49 para locações, parque ecoturístico das Águas Claras, academias ao ar livre, marina e outros passeios de barcos programáveis, deixando-nos uma sensação de muita qualidade de vida de sua população. Há uma unidade da fábrica do famoso requeijão Catupiry. Vale lembrar que essa cidade recebe incentivos fiscais como cidade turística.

Os hotéis aconchegantes não são luxuosos, mas têm qualidades de acordo com sua condição financeira.

Sua culinária é voltada para o pescado, onde até um monumento ao tucunaré que rende homenagem à piracema. Experimentamos os bolinhos de peixe, iscas de "zoiúdo" e diferentes pratos à base de peixes. O restaurante do Ceju no terminal da rodoviária, foi um dos que apreciei esses peixes, acompanhados daquela cerveja geladinha. Há restaurantes às margens do rio, que dão aquele toque especial, ao incluir as lindas paisagens naturais. Interessante que em todos os restaurantes e uma das sorveterias, na hora de pagar as despesas, sempre ouvi o convite para nova visita, como se fossemos profissionais de turismo avaliando as visitações.

Há também uma cidade das crianças e uma simulação (cidade cenográfica) na praça Santa Fé, retratando os primórdios da cidade, por onde passava a antiga estrada boiadeira que ligava São Paulo a Mato Grosso do Sul, nas décadas de 30 e 40.

Além da preservação ambiental (Mata dos Macacos), o visitante tem a oportunidade de alimentar o bando de macacos que vive na mata, o líder é um macaco muito atrevido chamado Chico. É só pegar uma  banana num balde e chamar o Chico que todos descem das árvores.

Perguntei na recepção do hotel se havia disponibilidade de material relativo à cidade, para indicá-la aos baurenses e da região, no que fui prontamente brindado com folders e guia de serviços, dos quais reuni as informações mais precisas acima mencionadas.

Podemos navegar pela internet através do site santafedosul.sp.gov.br e apreciar as várias fotografias ali disponíveis, inclusive sobre uma decoração especial que ocorre na cidade pelas festas de natal. A impressão que dá é que estamos em Nova Iorque. Todo enfeite é confeccionado num dos programas sociais da Prefeitura.São milhares de garrafas pets recolhidas e transformadas em enfeites natalinos. Os destaques são os querubins e o Papai Noel que segura uma vara de pescar, de bermuda , camisa florida e a barriga de fora. Vale a pena conhecer Santa Fé do Sul na época de Natal, que dizem ser emocionante.

O meu objetivo ao relatar essa viagem é proporcionar aos leitores, informações e percepções que tive o imenso prazer de vivenciá-los, e compartilhar com aqueles que procuram dias de descanso, vistas maravilhosas tanto naturais quanto arquitetônicas, gostam de saborear peixes, adoram pescarias, e que pela estrutura que a cidade apresenta, possa programar antecipadamente esses dias num verdadeiro paraíso, relativamente tão perto de todos nós. O seu lema é "bonita de se ver e ótima para se viver". Foi campeã do prêmio Município Verde-Azul, instituído pelo governo paulista que contempla as cidades que se preocupam e preservam o meio ambiente.

A todos que perguntei se conheciam Santa Fé do Sul, duas respostas obtive: nunca ouvi falar, ou visitei e adorei a cidade. Faça a sua experiência e depois forme sua opinião. Exagerei ou é assim de verdade?

Dr. Arnaldo Pinzan

Colaborou: Dr. Renato Marzari

*professor da Instituição de Santa Fé