Quando a poderosa Associação Paulista de Supermercados (Apas) surpreendeu a todos os setores envolvidos na fabricação, distribuição, vendas e consumo de embalagens flexíveis fazendo um acordo diretamente com a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, através do seu secretário Bruno Covas, num governo recém-empossado, demonstrou rapidez e competência.
Como não conseguiram uma lei e sim um acordo de adesão voluntária por parte dos supermercadistas, cabe à Apas atrair seus associados ao acordo. Até aí, tudo bem. Quem deveria ter a palavra final é o consumidor que vai aos supermercados e deixa por lá um percentual considerável do seu salário. Defendemos a livre escolha do consumidor e para isso devemos, sim, informá-los. Não contribui em nada a afirmação da Apas que as sacolas plásticas são feitas de derivados de petróleo, recurso natural não renovável. Hoje já temos no mercado um percentual significativo de sacolas feitas de cana de açúcar, fonte renovável que tende a aumentar conforme aumenta a demanda. Também o plástico que faz a sacolinha é exatamente o mesmo plástico dos sacos de lixo. Não é verdade que existam dois tipos diferentes de plásticos, um para a sacolinha e outro para o saco de lixo, e nos dois casos são totalmente recicláveis e tem o mesmo tempo de decomposição. Dizer que algum deles se decompõe em um a dois anos é um perigo, pois alguém pode acreditar nisso.
O destino dos plásticos, todos, dos potes de margarinas, carnes, verduras, frutas, produtos de higiene, condimentos, etc deve ser a reciclagem. Com a palavra, o consumidor.
O autor, Gino Paulucci Junior, é engenheiro, vice-presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico e vice-diretor da Regional Bauru do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo