Promissão - Após receber denúncia do sindicato da categoria informando que cerca de 55 trabalhadores rurais vindos da Bahia para trabalhar como cortadores de cana em fazendas na região de Promissão (120 quilômetros de Bauru) estariam com os salários atrasados, fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) foram até o local e encontraram o grupo vivendo em situação degradante, análoga à de escravos. Eles foram “resgatados” e deverão retornam para casa no dia 25.
Segundo o chefe do Setor de Inspeção do Trabalho em Bauru, Mário Tanaka, além de não receberem os salários há quase dois meses, os trabalhadores vivem em alojamentos precários. Em alguns desses locais, não há sequer chuveiro elétrico. A situação se arrasta desde junho, mas alguns cortadores relatam que convivem com o problema desde fevereiro.
“O que a empresa forneceu para eles foi apenas um colchão e uma cama. Em alguns casos, somente o colchão”, diz. “Está faltando o mínimo de conforto necessário, que seria, em cima do colchão, a roupa de cama, que é o lençol, fronha e cobertor, armário para guardar pertences individuais, uma mesa para refeições e cadeiras para eles se sentarem”.
Apesar da contratação dos trabalhadores ter sido feita por uma prestadora de serviços na área do corte de cana, Tanaka explica que a situação do grupo terá que ser regularizada pelo dono das fazendas. “Ela (terceirizada) não é reconhecida pelo Ministério do Trabalho e nenhuma legislação permite que se faça a terceirização da cultura da cana”, revela.
Após reunião com o empregador, ficou acertado um acordo que, no dia 25, eles receberão a rescisão de forma indireta e pagamento do aviso prévio.