Brasília - Após mais de uma hora de reunião com a presidente Dilma Rousseff, o ministro do Esporte, Orlando Silva, disse que continua no cargo. Ele se encontrou com Dilma no fim da tarde de ontem para discutir sua situação na pasta. Orlando é alvo de suspeitas de participação em um esquema de fraude no programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte.
Ele nega as acusações e, por meio de sua conta no Twitter, disse ter preparado um relatório sobre as “mentiras” publicadas contra ele. O ministro repetiu que havia pedido investigações à Polícia Federal e ao Ministério Público e aberto seus sigilos fiscal e bancário e que recebeu o apoio da presidente. “Foi um encontro para que eu esclarecesse todos os fatos, todas as acusações que tenho sofrido nos últimos dias. Dei detalhes, desmascarei todas as mentiras”, afirmou Orlando.
Indagado se continuava então no cargo, garantiu que sua saída nunca havia sido discutida.
Antes do encontro com a presidente Dilma Rousseff, o ministro do Esporte, Orlando Silva, divulgou nota no site da pasta na tarde de ontem para falar mais uma vez sobre as denúncias de fraude na pasta.
No documento, Orlando diz que foi alvo “de ampla campanha caluniosa”.
As suspeitas contra Orlando foram levantadas pelo policial militar João Dias Ferreira em entrevista à revista “Veja”. O soldado da Polícia Militar do Distrito Federal João Dias Ferreira e seu funcionário Célio Soares Pereira disseram à revista que o ministro recebeu parte do dinheiro desviado pessoalmente na garagem do ministério.
Mulher recebe dinheiro
Documentos obtidos pelo Grupo Estado mostram que Anna Cristina Lemos Petta, mulher do ministro do Esporte, Orlando Silva, recebeu dinheiro da União por meio de uma ONG comandada por filiados ao PCdoB, partido do marido e ministro. É a própria Anna Petta quem assina o contrato entre a Hermana e a ONG Via BR, que recebeu R$ 278,9 mil em novembro do ano passado. A Hermana é uma empresa de produção cultural criada pela mulher do ministro e sua irmã, Helena. Prestou serviços de assistente de pesquisa para documentário sobre a Comissão da Anistia.
A empresa foi criada menos de sete meses antes da assinatura do contrato com a entidade. Pelo trabalho, recebeu R$ 43,5 mil.