08 de julho de 2026
Bairros

Mãe de usuária de crack pede ajuda

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Como último recurso para tentar salvar a filha do crack, a escritora bauruense Maria Cristina Violante está planejando ir a Brasília (DF) para entregar um abaixo-assinado à Presidência da República. O objetivo é solicitar recursos para a construção de uma clínica de recuperação para usuários de drogas na cidade.

Para poder fazer a viagem, Maria Cristina procurou o Jornal da Cidade numa tentativa de mobilizar leitores em torno do seu drama, que já se arrasta por 10 anos. “Gostaria de pedir a ajuda das pessoas apenas para custear a passagem. Por causa do problema da minha filha, tive de parar de trabalhar e não tenho condições de desembolsar este dinheiro”, comenta. Conforme levantamento feito pela reportagem, o valor somado dos bilhetes de ida e volta fica em torno de R$ 275,00.

Conforme descreve a escritora, a filha dependente de crack, de 23 anos, já foi internada 18 vezes para desintoxicação, mas nunca conseguiu se recuperar por não conseguir vaga em uma comunidade terapêutica, onde pudesse permanecer por um período prolongado, com tratamento adequado para sua efetiva reinserção social. “A gente só encontra vaga em clínica particular, que cobra mensalidades altíssimas. Quero coletar assinaturas em igrejas, entidades e empresas para reivindicar uma instituição de recuperação para Bauru, que tem muitos casos de dependentes químicos”, descreve.

A estimativa é de que haja aproximadamente 2 mil usuários de crack na cidade, com maior ou menor grau de dependência. Segundo divulgado pelo JC no mês passado, famílias estariam enfrentando dificuldades, mesmo com mandados judiciais, para conseguir vagas de internação e tratamento para parentes dependentes. Na ocasião, o Departamento Regional de Saúde de Bauru (DRS-4) afirmou que vinha cumprindo todas as decisões da Vara da Família na cidade.

Da mesma forma, o prefeito Rodrigo Agostinho afirmou que sobram vagas em entidades que atendem a população gratuitamente em convênio com a administração municipal, como o Esquadrão da Vida, por exemplo. Mas, na avaliação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Bauru, um dos grandes problemas para superar a epidemia do crack na cidade são as poucas casas de acolhimento para tratamento dos dependentes. 

Recentemente, Maria Cristina chegou a ingressar com pedido de liminar para obter a internação compulsória da filha, mas a solicitação foi negada pela 1ª Vara da Família de Bauru. Agora, ela pretende recorrer da decisão e, ao mesmo tempo, diz que irá lutar para que o governo federal construa uma clínica no município.

“Sem cura, o medo de minha filha ser presa ou morrer paira o tempo todo. Ela precisa de uma comunidade boa, onde tenha a oportunidade de receber tratamento medicamentoso e terapêutico, mas também de se ressocializar e recomeçar a vida”, observa.