08 de julho de 2026
Política

Compra no DAE: ?parto? de 9 meses

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A compra de um caminhão zero quilômetro sem tanque no compartimento de carga, em novembro do ano passado, virou um ?parto? no Departamento de Água e Esgoto (DAE), que só vai conseguir colocar o veículo em uso nove meses depois de ele ser entregue pelo fornecedor.

A ?proeza? teve início com a aquisição, por licitação de um caminhão para o transporte de químicos sem o compartimento de carga. Como "esqueceram" de pedir o tanque, o processo aberto em 27 de setembro de 2010 teve parte do desfecho em 04 de janeiro deste ano, quando a empresa Silbarra Veículos (uma microempresa) cumpriu sua parte e entregou ao DAE o que foi pedido. O fechamento do contrato de compra, por R$ 84.970,00, deu-se em novembro de 2010.

Veio o Ano Novo (atual) e o também novo presidente da autarquia, André Luiz Andreoli, recebeu a notícia de que o zero quilômetro não poderia ir ás ruas. Desde então, o caminhão ficou encostado em uma seção do DAE ao lado da Estação de Tratamento de Água (ETA). Por exatos nove meses, completados no início deste mês, servidores passaram a contemplar o caminhão.

Coincidência ou não, o ?parto? para colocar o veículo nas ruas demorou exatos nove meses. Enfim, na próxima segunda-feira, o caminhão chega de Uberlândia (MG), segundo o DAE, já com o tanque instalado sobre sua carroceria, agora sim, apto a transportar químicos.

A autarquia argumentou, por seus setores operacional e administrativo, que a saga pela compra do tanque químico deu-se por vários fatores, como liberação especial para o veículo não registrado no órgão do trânsito (aguardou para ser emplaquetado) rodar até Uberlândia, prazo extenso para localização do fornecedor do inusitado tanque e ainda outros obstáculos, como licença, vistoria técnica e instalação do dispositivo.

Saga sobre rodas


O fato é que somente em 27/07/11, o caminhão foi para a cidade mineira para a colocação do tanque para transporte de hipoclorito de sódio. Em 29/11/2010, foi solicitado pela Divisão de Produção e Reservação de Água do DAE, através do processo nº 10.910/2010, a fabricação de um tanque de transporte de hipoclorito de sódio.

Em 20/04/2011 foi marcado o pregão eletrônico nº 14/2011 para adquirir o equipamento e, em 06/06/2011, foi assinado o contrato nº 023/2011-DAE com a Empresa Dinâmica Fábrica de Reservatório e Equipamentos Ltda. EPP. Finalmente o tanque ganhava fornecedor. Então o DAE concentrou esforços para solicitar à 5ª Ciretran, isso em 07/07/2011, a autorização especial para locomoção do caminhão até Minhas Gerais (MG). Vieram, ainda, nos dias 10 e 11/08/2011 e 5 e 6/09/2011, visitas técnicas no local para assegurar a entrega do tanque de acordo com o contratado.

"A empresa está em fase de término da instalação do tanque e de laudos técnicos do fornecimento do material. O DAE está no aguardo da solicitação da empresa para entrega do objeto com cumprimentos de todas as cláusulas do contrato", finalmente aponta a autarquia, como desfecho, do inusitado e arrastado procedimento. As festividades para o mais novo integrante da frota do DAE estão indicadas para a próxima segunda-feira, quando finalmente o caminhão poderá estacionar o pátio da autarquia em condições de trabalho.

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Azar sobre rodas


O DAE não tem dado muita ?sorte? com a compra de veículos. O Ministério Público (MP) apura a aquisição de veículos de segunda mão, a partir de reportagem veiculada pelo JC neste ano. Na sindicância interna, o Jurídico rejeitou a ocorrência de irregularidade.

Ainda sobre a frota, o DAE também teve a compra de veículo (picape) considerada ilegal pela Promotoria. Também conforme reportagem feita pelo JC, no ano passado, foi utilizado recurso do Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE) ? cuja destinação é vinculada, destinada somente a obras do segmento ? para pagar a compra do veículo.

O JC ainda apontou a compra de retroescavadeira e de outros bens com uso indevido de recursos do fundo. O DAE, após as reportagens, reconheceu as irregularidades e passou a retornar os valores pagos ao fundo. A Promotoria ainda apura casos no setor.