Um público estimado em 25 mil pessoas prestigiou o Red Bull X-Fighters Jams realizado, ontem, no Recinto Mello Moraes, em Bauru. O sábado agregou esporte radical e música pop rock com bandas locais – Valetes e Legalê – e o grupo Charlie Brown Jr. Famílias inteiras prestigiaram o evento que vai beneficiar entidades filantrópicas da cidade. Cada ingresso foi trocado por um quilo de alimento não-perecível.
Manobras radicais, saltos e voos a partir das rampas de decolagem metálica e de terra – foram mais de 200 caminhões de terra para montar a estrutura – prenderam a atenção dos espectadores que ficaram ‘alucinados’ com toda a agilidade e habilidade dos pilotos.
Uma das “feras” da modalidade motocross freestyle a marcar presença no evento em Bauru, Jean Bergamini, duas vezes campeão brasileiro e oito vezes campeão estadual de motocross não economizou manobras e arrancou aplausos insistentes do público. Mas quem viu de longe não sabe que para cada apresentação os pilotos se preparam tanto fisicamente como mentalmente. Qualquer ‘deslize’ pode ser sinônimo de mais uma queda.
“É um esporte perigoso. Faço academia para evitar lesões no caso de queda, mas nada melhora meu desempenho nas provas, sei que tudo está na minha cabeça. Para me sair bem preciso de motivação e autoconfiança. Muitas vezes, após a apresentação, vejo uma foto ou uma imagem e me pergunto como fiz aquilo? Há dias em que parece tudo muito fácil. Em outros, sinto medo “, confessa o piloto.
Para ele, o piloto precisa manter o equilíbrio para vencer o medo. A adrenalina somada a autoafirmação são os ‘medicamentos’ utilizados por ele. “Nos momentos mais críticos, eu penso: eu sei o que estou fazendo, eu treino todos os dias, trabalho com isso e me preparo para isso. Só assim me sinto mais confortável.”
Bergamini ressalta que não pode pensar como uma pessoa normal pensa. “Se o salto é de 20 metros, se a moto é do tipo tal. Eu tenho que pensar é isso que eu faço, esse é o meu show. Vou dar o meu melhor. Depois que coloco o capacete e a galera agita não tenho mais espaço para ficar pensando, foco na manobra e vou.”
Pinos e placas
Jeff Campacci, um jovem piloto de 22 anos, sabe bem que as manobras radicais exigem preparo físico e psicológico. Há quatro anos nas pistas, ele já teve cinco pinos no pulso esquerdo, uma placa de platina e oito parafusos na perna e três pinos no polegar. “Cansei de ser barrado na porta de banco”, brinca. Segundo ele, um médico tirou todo corpo estranho dele. É um esporte perigoso. A gente está sempre puxando no limite e o risco de cair, existe.”
O piloto Fred Kyrillos, 25 anos, diz fazer dois tipos de preparo. “Dentro da pista treino não só as manobras, mas motocross, que são as corridas para dar agilidade na moto. Fora da moto, faço academia, misturo exercícios aeróbicos com levantamento de peso e ando de bicicleta, três vezes por semana. Moto todos os dias”. Mesmo pilotando desde os cinco anos, quando ganhou sua primeira moto, ele coleciona fraturas. “Já quebrei duas vezes o braço, uma vez o osso da perna, rompi o ligamento do tornozelo, quebrei o ombro e o fêmur, que foi o pior.”
O evento foi uma realização da Prefeitura Municipal de Bauru e Noblu Marketing Esportivo, com parceria da 96FM e apoio do Jornal da Cidade, The Burgers, Devassa e Salgadinhos Jogada. Foi uma tarde/noite sensacional para a galera que esteve por lá.