08 de julho de 2026
Internacional

Líbia deve ter eleições em até 8 meses


| Tempo de leitura: 2 min

Trípoli - Eleições livres e democráticas devem ser promovidas em até oito meses para eleger um governo provisório e um conselho que criará uma nova constituição para a Líbia, de acordo com Mahmoud Jibril, primeiro-ministro interino do país.

Em discurso no Fórum Econômico Mundial, na Jordânia, Jibril disse ainda que a prioridade nos dias seguintes à morte de Muammar Gaddafi, que governou o país por 42 anos, foi restabelecer a ordem na Líbia e começar um processo de reconciliação. “A primeira eleição deve ser feita num período de oito meses, no máximo, para constituir um congresso nacional da Líbia “uma espécie de parlamento”, afirmou.

“Esse congresso teria duas tarefas: formular uma constituição, sobre a qual teríamos um referendo, e formar um governo interino que duraria até que a primeira eleição presidencial fosse conduzida”, acrescentou Jibril.

Ontem, questionado sobre quando renunciaria ao cargo de primeiro-ministro, Jibril afirmou: “Hoje, hoje”. Antes do fechamento da edição, nenhum anúncio oficial sobre sua renúncia do cargo havia sido feito.

Jibril é o primeiro-ministro do Conselho Nacional de Transição (CNT), que controla o país desde o fim de março. É reconhecido pela maior parte dos países ocidentais como o representante máximo do Executivo da Líbia.

O objetivo de sua renúncia é conciliar os vários lados. O CNT vai indicar um primeiro-ministro interino para esse período de oito meses, até as eleições serem realizadas.

Um dos nomes apontados como possível novo premiê é o de Ali Tarhoumi, que atualmente ocupa o cargo de ministro do petróleo do governo de transição.

Na sexta-feira e no sábado, o corpo de Muammar Gaddafi estava disposto no chão de um frigorífico no mercado da cidade líbia de Misrata. As forças líbias que estão sob posse do cadáver permitiam que curiosos o vissem, mas escondiam os ferimentos que poderiam fornecer pistas sobre as circunstâncias da morte (leia mais abaixo).

Muitas pessoas tiravam fotos do corpo, que se tornou uma atração turística macabra, segundo o “Guardian”.

Centenas de rebeldes, segundo o jornal britânico, formavam fila perto do frigorífico para ver o corpo. Pequenos grupos entravam de cada vez e celebravam perto do corpo de Gaddafi, tirando fotos.

A ONU e a Anistia Internacional fazem pressão para que as circunstâncias da morte de Gaddafi sejam investigadas.

Um vídeo divulgado na sexta-feira que mostra o ex-ditador capturado ainda vivo, sendo carregado por pessoas armadas, reforça suspeitas de que ele tenha sido executado.

Mahmoud Jibril, no entanto,

afirmou que relatórios de perícia apontam que a causa da morte foi um tiro recebido durante um conflito.

Ainda não há definição sobre se o corpo de Gaddafi passará por autópsia. Um porta-voz do conselho militar de Misrata, Fathi Bachagha afirmou ontem que ninguém fará a autópsia no corpo.