08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Multas injustas


| Tempo de leitura: 3 min

Estou me sentindo muito injustiçada por conta de uma multa de trânsito que recebi às 18h30 do dia 19/10/2011, de modo que escrevi esse desabafo às 19h39 deste mesmo dia, ou seja, praticamente uma hora após o ocorrido e logo enviei ao e-mail do Jornal da Cidade. Ocorreu que às 18h30 eu estava no congestionamento de trânsito da avenida Duque de Caxias, com filas de carro andando a 0Km/h, só na 1.ª marcha, a cada 5 minutos dava para andar um passo com o carro.

Eu estava cansada e como o vidro do carro estava totalmente aberto, eu repousei meu braço e o cotovelo no vidro e apoiei minha cabeça na mão para descansar, ou seja, fiquei com a cabeça inclinada. Na sequência, dois policias de trânsito passaram com suas motos, um parou ao meu lado, sem me olhar e sem me dirigir a palavra. Já o outro parou bem lá na frente do carro e começou discretamente a anotar a placa. Eu percebi e questionei por que ele estava me multando. De longe, ele disse que me viu ao celular. Eu praticamente tive que fazer uma leitura labial para entender o que o policial dizia, pois ele estava longe e logo arrancou rapidamente com sua moto.

 Diante de tamanha injustiça, eu rapidamente olhei para o policial que estava ao lado do carro e lhe disse que era um absurdo aquele policial lá da frente ter aplicado tal multa, pois eu não estava ao celular e não havia usado o celular. Mas esse policial ao lado nem se deu ao trabalho de olhar na minha cara. Simplesmente também arrancou com sua moto. E eu nem pude segui-los para tentar me defender e esclarecer o mal entendido, pois o trânsito estava totalmente parado.

De modo que eu fiquei presa na fila e ainda fui multada porque o policial não observou direito e se confundiu com a cena. Esse é o nosso Brasil. Aqui a gente paga multa até por aquilo que os policiais imaginam ter visto. Multam com base em suposições, por exemplo: se a pessoa está com a cabeça inclinada pra esquerda, logo se supõe que ela está falando ao telefone celular, então dá-lhe multa.

 O que me deixa mais inconformada é que o trânsito estava totalmente parado, viabilizando assim que o policial parasse e fizesse a abordagem, ou seja, o policial poderia ter tido calma na autuação. Entendo que devia ter parado ao meu lado e conversado comigo e investigado melhor o caso, principalmente porque ele estava de moto, que é um veículo fácil e ágil para transitar no local. Mas, ao contrário, o policial até parecia que queria fazer segredo da autuação. Parou bem lá na frente do carro e começou a anotar discretamente a placa, quase escondendo que estava anotando.

Inclusive pareceu que ele nem pretendia me comunicar sobre a autuação, fui eu que acabei percebendo e perguntando, e somente assim ele "sussurrou" de longe sobre a autuação. Ou seja, se eu não tivesse perguntado, ele nem iria me informar sobre a autuação, a qual poderia ter sido evitada se ele examinasse melhor. Assim teria apurado que eu não estava ao celular e que tudo não passou de um equívoco, de uma confusão.

 No meu modesto desabafo, entendo que não se pode autuar dessa forma, arrancando com a moto sem avisar, pois volto a enfatizar que havia condições hábeis para que o policial parasse e fizesse a abordagem e apuração dos fatos. Depois desse desabafo, estou mais calma, embora essa calma não pague a multa. Terei que pagar com dinheiro mesmo.

Vou aguardar a multa chegar via Correio, depois vou a banco pagá-la, e ainda vou indicar minha carteira de habilitação para receber a pontuação, tudo por uma suposição.

Amanda Duarte