08 de julho de 2026
Internacional

Cristina Kirchner terá poder inédito desde a volta da democracia

Folhapress
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Buenos Aires - Em dezembro deste ano, a presidente argentina, Cristina Kirchner, iniciará seu segundo mandato com uma concentração de poder sem precedentes desde a volta da democracia no país em 1983, de acordo com o jornal local “La Nación”.

De acordo com resultados da apuração de 98% das urnas, Cristina conquistou 53,8% dos votos, com uma vantagem de 37 pontos percentuais sobre o segundo colocado, o socialista Hermes Binner, governador da província de Santa Fé.

Além disso, ela obteve a maioria em ambas as câmaras do Congresso e seu partido elegeu oito das nove províncias que votaram para governador no domingo. O kirchnerismo ficou com 135 dos 257 deputados. No Senado, onde já havia maioria governista, a votação ajudou a ampliar a vantagem em uma cadeira. Agora, serão 38 dos 72 senadores.

O resultado marca uma dramática mudança na carreira de uma líder que enfrentou irados protestos de fazendeiros e eleitores de classe média no início de seu governo, levando críticos a preverem que ela não conseguiria cumprir seu mandato. “Se algum de nós tivesse dito dois anos atrás que isto seria possível, teriam nos dito que estávamos loucos”, afirmou Cristina, chorando, a milhares de partidários que se concentraram na praça diante do palácio presidencial em Buenos Aires.

Nenhum líder argentino conseguia votação tão expressiva desde que o general Juan Domingo Perón foi eleito presidente pela terceira vez com 62% dos votos, em 1973. Com o resultado, ela também será a terceira mandatária argentina a exercer o poder em períodos consecutivos - os outros foram Perón e Carlos Menem.

Logo após a divulgação dos primeiros dados da apuração oficial, na noite de domingo, Cristina se declarou vitoriosa em um discurso realizado diante de centenas de partidários reunidos em frente ao hotel Intercontinental, no centro de Buenos Aires, que serviu de quartel-general da sua campanha.

Durante uma emotiva mensagem na qual apelou para a “união nacional”, a mandatária lembrou de seu falecido marido, Néstor Kirchner (2003-2007), e reconheceu o papel dele em sua vitória durante.