07 de julho de 2026
Geral

Saborosa e democrática macarronada

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 6 min

Se existe uma palavra que poderia definir o macarrão é "democrático". Com preços que variam em menos de R$ 1,00 até aqueles que passam de R$ 30,00 o pacote de meio quilo, as opções que possui de preparo pelo formato e molhos, até a forma de ser consumido, em uma tradicional família italiana ou em uma porção individual, as possibilidades fazem do prato um dos mais tradicionais e consumidos do Brasil. Por isso mesmo o Dia Mundial do Macarrão, comemorado hoje, não poderia deixar de ser lembrado.

A data especial foi criada durante o 1.º Congresso Mundial da Pasta, que reuniu os principais fabricantes de macarrão do mundo, na Itália, em 1995. No Brasil, o Dia do Macarrão é comemorado pela Associação Brasileira das Indústrias Alimentícias (Abima).

Diferente de outros setores da economia, o consumo do macarrão, especificamente, dentro do universo da culinária brasileira, não segue modismos, mas eventualmente apresenta novidades que aquecem o mercado e agradam em cheio o paladar do consumidor. Mundialmente, o Brasil ocupa a 17ª posição em consumo e a 3ª em produção de massas, segundo a Abima.

Para o professor de gastronomia, empresário e chef de cozinha internacional Jefferson Previero, uma forte tendência são as massas caseiras, apesar da fama de serem mais pesadas e de mais difícil digestão.

"Quando ela é bem feita, por uma pessoa que tem todo carinho em fazer, ela consegue ser extremamente leve. Fazer massa parece fácil, mas quando não bem preparadas ou cilindradas são massas pesadas na hora de consumir, mas quando o profissional gosta do que faz, a massa fica leve e gostosa", explicou.

Dentro de sua característica democrática, quem quer um macarrão bem leve, a indicação é a massa feita com grano duro. A farinha é obtida do trigo Durum e proporciona um macarrão naturalmente ?al dente?.


De arroz


Também o macarrão de arroz é opção para quem não fica sem uma boa macarronada, mas tem intolerância ao glúten. A farinha é naturalmente livre de glúten proporciona o mesmo resultado, garante o chef.

Mas, para Previero, embora importante para o resultado final do prato, a massa é apenas o condutor do molho, esse sim, protagonista dessa história. "O que faz o diferencial é o molho. A massa é importante. Se você tem massa de sêmola e ovo precisa trabalhar ela rápido, mas ela não dá o mesmo ponto de uma massa de grano duro", resume. O molho Milano, criado por ele é o que tem mais pedida em seu restaurante. Mas, garante que o molho ao sugo e bolonhesa saem muito bem, apesar de serem tradicionais e populares.

Se o assunto é sofisticação, para o formato o professor indica o pene e minipene, acompanhados de um molho pesto de qualquer variação, mas se o requinte é na massa, o tingimento com tinta de lula é o que há de mais recente. "Pode ser recheada com salmão ou com ricota e escarola, por exemplo. São mais sofisticadas", afirmou.

Importado ou à moda bem brasileira, o prato sempre agrada nas refeições


A empresária Marisa Gonçalves concorda com o perfil democrático do prato. Proprietária de uma empresa que organiza eventos, ela cita as massas importadas como uma novidade que tem agradado o paladar do consumidor. Com preços acessíveis, a qualidade da massa produzida na Itália é a mesma da brasileira, com algumas diferenças de sabor e textura.

Seja nacional ou importado, o macarrão atende a gostos exigentes, de vegetarianos e crianças, por exemplo. "É uma opção, por exemplo, para quem é vegetariano. Eu trabalho com recheio neutro. E o bacana é que crianças gostam muito e alimentar criança nem sempre é fácil, mas a massa é bacana porque eles sentam e comem. Criança ama macarrão", conta.

A família de Leandro Daláqua, Maria Fernanda e Isabela comprova o que diz a empresária. "Para a gente é comum comer, não só no domingo. A gente come durante a semana, diferente do que a maioria faz que é comer só aos domingos", diz Leandro.

Para Maria Fernanda, um dos atrativos é a praticidade do prato, já que o macarrão está sempre na mesa da família. "É prático, às vezes em casa, na correria, o macarrão vai bem. Até fazer o arroz, feijão e a mistura, é bem mais prático o macarrão", afirma. O preferido de Isabela é nhoque, mas a pequena adora macarrão com bastante queijo.

A praticidade do prato também é defendida por Érica Romano, que prefere o prato tradicional de talharim com molho à bolonhesa. Ela conta que na família não tem a tradição de comer macarronada aos domingos e que se depender do filho, Leonardo, 2 anos, macarronada é prato de todo dia.

Já o casal Célia e Antonio Godoy gosta de variar os formatos, mas não gostam do molho branco. "Com calabresa é mais saboroso, prefiro o molho tradicional", diz Antonio.

Célia confessa que gosta de experimentar receitas na cozinha. "Às vezes eu faço aquele q ue vai ao forno, com queijo e tomate. Dou uma variada na receita", conta.

Mão na massa


A tradição do encontro da família aos domingos, acompanhado de uma boa macarronada preparada pela ?mama? se manteve durante muitos anos na casa de Terezinha Tarantino Bergamine, que sempre fez questão de preparar a massa e o molho para servir aos filhos.

O gosto pelo preparo caseiro, principalmente do macarrão, Terezinha herdou da mãe e espera passar para os filhos. "Cheguei a fazer macarrão com dois quilos de farinha e tudo na mão. Agora é uma vez por mês, quando todo mundo se reúne em casa. Faço a massa e preparo o molho, que pode ser com carne moída e linguiça". Outra receita que faz os filhos ?lamberem a boca? é o molho vermelho com bife a role. "Esse é um dos preferidos", diz.

A disposição em colocar ?a mão na massa? literalmente, é o tempero especial que dá gosto ao seus pratos, garante a dona de casa. "Posso fazer um pouquinho ou faze um monte de macarrão. Eu gosto de cozinhar. A verdade é que faço com amor. Qualquer coisa eu capricho, é da minha natureza", garante.

?Pedaço? da Itália


Há 26 anos, o chef Gigio Coniglio "defende" a gastronomia italiana em Bauru. Além de confeccionar a própria massa, o chef manda importar farinha do país europeu. "Mandei trazer para cá a farinha Caputo, que existe desde 1920 e é muito boa para as massas", conta.
Segundo ele, essa farinha possui um teor de cinza muito pequeno, o que deixa a massa branquinha, além de conceder um sabor inconfundível. "É essencial ao paladar. Quem comer um macarrão com a massa feita dessa farinha vai perceber na hora."

Gigio explica que essa farinha possui mais granos duros e, por isso, aumenta a qualidade das massas. "Os granos duros possibilitam maior cozimento. E isso deixa qualquer massa mais gostosa. Ela não empapa e não sai do ponto", destaca.

Questionado sobre a paixão por macarronada, o chef explica que é um prato que nunca sai de moda. "Seja em restaurantes ou em casa, uma bela macarronada é sempre uma boa pedida. Além de ser uma delícia, é um prato que não é caro", completa o chef Gigio Coniglio.