09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Democracia ou democracídio?


| Tempo de leitura: 4 min


Esse é um relato pessoal sobre a sessão da Câmara Municipal de Bauru de segunda-feira, dia 17/10, na qual seria votado o projeto de lei que autoriza a Prefeitura de Bauru a participar da Fundação Regional de Saúde junto a outros municípios. Basicamente o projeto autoriza o município a terceirizar a saúde, ou seja, dá um ?cheque em branco? para uma empresa de parceria público/privada realizar o serviço. Essa empresa poderá contratar, demitir e gastar sem fiscalização. Olha que jeito fácil de desviar verba... Já é de conhecimento que casos de terceirização do serviço público pouco dão certo e que a roubalheira é grande dentro dessas fundações.

Os principais defensores do projeto foram os vereadores Marcelo Borges e Carlão do Gás. O último desculpou-se em nome do secretário da Saúde, Fernando Monti, pela infeliz declaração de que "o município não estava preparado para debater o caso". Com discursos como "sou defensor da riqueza" e "se não existisse o patrão, não existiria o proletariado, os trabalhadores", referido vereador mostrou-se um defensor ferrenho do falido capitalismo que conhecemos e abertamente diz isso em seus discursos. Já Marcelo Borges mostrou-se um político ?old school??, a la Paulo Maluf, cínico e sarrista, exalando um ar de superioridade o tempo todo. Seus discursos foram atacados pelos cidadãos presentes, em sua maioria pessoas ligadas a sindicatos e partidos contrários à aprovação do projeto. Durante o decorrer da votação começaram a aparecer vários ?paus mandados? dos partidos defensores do projeto: o circo estava armado! Por volta das 22:45, o vereador Marcelo defendia ferrenhamente a terceirização de serviços públicos e ao mesmo tempo aproveitava para atacar os cidadãos que estavam lá protestando contra a aprovação do projeto, recebendo em troco ataques e indignação.

Pareceu-me claramente uma rixa pessoal, partidária e de interesses, enfim, uma sujeira. A propósito, a campainha usada pelo presidente da Câmara, sr. Roberval Sakai, lembra uma mordaça, uma vez que só é acionada quando há manifestação do público, nunca quando um vereador descabidamente tripudia dos cidadãos que protestam. Também não houve campainha quando a sra. Chiara Ranieri protagonizou o momento "barraco" da votação, dirigindo-se até a galeria para discutir e intimidar um cidadão que protestava contra a aprovação do projeto. E, assim, cada vez mais me convenço de que essa falsa democracia e esse sistema político partidário está falido! Não podemos mais deixar que essas pessoas decidam, de forma vil, assuntos tão importantes. Pude sentir na pele e enxergar com meus próprios olhos toda a sujeira, a falta de ética e a antidemocracia que rola no cenário político bauruense.

Ler em jornais ou blogs é diferente, estando ali eu pude olhar nos olhos e observar as atitudes dos nossos vereadores. Que vergonha... E ainda fui obrigado a escutar, por diversas vezes, a palavra democracia. Como diria o artista plástico Eduardo Marinho, na verdade isso é um democracídio, estão assassinando a sociedade. Acho que eles deveriam procurar o que significa democracia.

Vamos dar uma mão para os nossos representantes: a palavra democracia é de origem grega, demos significa povo e cratos significa governo, governo do povo. Mas assim como na Grécia Antiga, nos perguntamos: quem é, de fato, o povo? Em uma polis grega, povo ou cidadão eram os homens nascidos na polis, mulheres, escravos e estrangeiros não entravam na soma.

E essa falsa ideia de governo de todos foi passada pela tradição e o que vemos aqui no Brasil é isso, uma democracia para um povo que não é a totalidade da população, é fake. Por fim, faço uma ressalva ao vereador Roque Ferreira, um dos únicos ali que realmente conhecem o significado de democracia e defende uma maior participação da população nas decisões políticas. Suas emendas se pautaram em resguardar os servidores públicos da saúde, garantir a fiscalização da fundação e bloquear a manjada sucessão de cargo, todas negadas pelos vereadores.  Aliás, que dizer do prefeito Rodrigo Agostinho, que passando por cima da lei enviou esse projeto para Câmara sem a deliberação do Conselho Municipal de Saúde? E, claro, sem falar do nobre secretário Fernando Monti, que subestimou a capacidade da sociedade bauruense de debater um assunto de tanta importância. Mas de uma coisa eu tenho certeza, nenhum daqueles senhores me representa.

Eles representam partidos, que por sua vez representam empresas financiadoras de campanhas políticas. Eles não representam você, eles não representam a sociedade! Vamos dar uma basta nessa palhaçada! Vamos acabar com esse feudalismo disfarçado! Com essa aristocracia travestida de democracia! Estamos juntos com os indignados do mundo todo! Democracia Real Já!

Leandro Atta - Grupo Acorda Bauru