Ercis - Uma bebê de duas semanas de vida foi retirada com vida ontem dos escombros de um edifício demolido pelo terremoto de domingo no leste da Turquia, que deixou mais de 400 mortos confirmados e desabrigou dezenas de milhares de pessoas.
A mãe e a avó da bebê também foram salvas, em meio a gritos eufóricos de quem acompanhou a dramática operação, sob frio e chuva. “É um milagre!”, disse Senol Yigit, tio da pequena Azra (pureza, em árabe). “Estou tão feliz. O que eu posso dizer? Passamos dois dias esperando por isso. Havíamos perdido a esperança ao vermos o prédio (destruído)”, afirmou o homem, soluçando.
Mas a esperança de encontrar outros sobreviventes diminui a cada hora que passa. Já são 459 vítimas fatais confirmadas pelo sismo de domingo, que atingiu a magnitude 7,2. O número total, no entanto, deve ser bem superior, porque ainda há muitos desaparecidos sob os escombros de 2.262 imóveis que desabaram. Pelo menos 1.352 pessoas ficaram feridas.
Milhares se preparavam para passar mais uma noite em barracas superlotadas ou encolhidos em torno de fogueiras. O governo pediu tendas e moradias pré-fabricadas a mais de 30 países, disse uma fonte da chancelaria turca.
Muitas vítimas acusam o governo turco de estar mal organizado e de demorar a oferecer ajuda nesta região montanhosa, habitada principalmente por membros da minoria curda, e onde existe uma ativa guerrilha separatista. Brigas foram registradas entre sobreviventes que, desesperados, tentavam agarrar barracas dos sobrecarregados agentes humanitários.
Num prenúncio de mais problemas para as autoridades, tiros foram ouvidos enquanto prisioneiros ateavam fogo a uma penitenciária e confrontavam carcereiros na cidade de Van. Um motim ocorrido logo depois do terremoto já havia permitido a fuga de até 200 presos.
O Partido AK (governo) pediu desculpas pelos problemas na distribuição da ajuda humanitária. Falta menos de um mês para a primeira nevasca do inverno na região, o que aumenta a urgência no trabalho de montagem de abrigo.