O violento trânsito de Bauru fez mais uma vítima na tarde de ontem. Aparecida Neide Albino Conegunes, 74 anos, morreu após ser atropelada por um ônibus no momento em que atravessava a avenida Rodrigues Alves, no Centro, por volta das 12h30. A mulher foi levada ao Pronto-Socorro Central (PSC) por uma Unidade de Resgate (UR) do Corpo de Bombeiros, mas não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois.
De acordo com os policiais militares da Companhia de Trânsito da Polícia Militar (PM) de Bauru, testemunhas da fatalidade afirmaram que no momento da travessia havia um ônibus circular estacionado à direita da via, em um ponto de embarque e desembarque da quadra 9 da avenida sentido Centro-Bairro.
Este veículo estava corretamente posicionado antes da faixa de pedestres. Aparecida teria efetuado a travessia quando o semáforo para o tráfego de veículos ainda estava verde. Neste momento a vítima foi colhida por outro ônibus coletivo que seguia pela faixa esquerda.
Com a força do impacto, o vidro do para-brisa ficou parcialmente trincado. O motorista do veículo que fazia o itinerário Gasparini-Centro, José Santana Tomas, 42 anos, frisou que o sinal estava verde, autorizando sua passagem. “Ela saiu de frente de um outro ônibus que estava parado no ponto esperando os passageiros e surgiu no meio da rua. Sem visão, eu não tive tempo hábil para frear”, justificou.
Socorro
Aparecida foi levada rapidamente ao PSC pela UR do Corpo de Bombeiros ainda com sinais vitais, mas aparentemente com poucas escoriações pelo corpo. Ao chegar à unidade de saúde, ela teve uma parada cardiorrespiratória e foi reanimada. Entretanto, como seu quadro de saúde era gravíssimo ela não resistiu e morreu por volta das 17h da tarde de ontem.
O caso foi registrado como homicídio culposo na direção do veículo automotor. Aparecida foi velada na Sala 3 do Centro Velatório Terra Branca, localizado na quadra 5 da rua Gerson França, no Centro. Até o fechamento desta edição ainda não tinha sido esclarecido em qual cemitério seu corpo seria sepultado.
Imprudência e violência
A facilidade de crédito aumentou abruptamente o número da frota de veículos em Bauru. Muitas avenidas não possuem espaço suficiente para comportar esse “boom” da venda desenfreada de veículos e este problema aliado à imprudência e falta de paciência dos condutores ao volante tem aumentado o número de mortes no trânsito em Bauru.
Recentemente, o JC publicou uma matéria alertando para o fato. O título dizia: “Perfil imprudente no trânsito: até quando continuará matando?”. Para o antropólogo Roberto DaMatta, autor do livro “Fé em Deus e Pé na Tábua - Ou como e por que o trânsito enlouquece no Brasil”, o tráfego reflete um grave e perverso defeito estrutural da sociedade brasileira, que se tornou moderna sem abandonar valores ultrapassados da aristocracia de séculos passados.
Até ontem, a morte de Aparecida Neide Albino Conegunes, 74 anos, entrava para o ranking de mortes no trânsito deste ano como o 15º registro. Em todo o ano passado foram registradas 23 vítimas fatais.
O último caso retratado pelo JC antes do atropelamento de ontem foi a morte de Willian Deliberal Zuquiere, 23 anos, que deixou gravemente ferida sua namorada, a operadora de cobrança Juliane Diniz Braga, 18 anos.
Na manhã do último dia 16, o jovem conduzia sua motocicleta levando Juliane como passageira quando foi atingido por outra motocicleta que atravessou o sinal vermelho no cruzamento entre as ruas Rio Branco e Machado de Assis, Altos da Cidade em Bauru.