08 de julho de 2026
Geral

Chuvas e ventos fortes assustam Bauru

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Bauru foi atingida na tarde de ontem por duas tempestades. Apesar de passageiras, as precipitações provocaram estragos em diversos pontos da cidade. O maior problema foi a queda de árvores. Segundo a Defesa Civil, foram 15 ao todo. Além disso, a chuva provocou alagamento, falta de energia elétrica, vias cobertas de barro, entre outros problemas. Mesmo com os danos materiais, ninguém se feriu.

A primeira forte pancada de chuva começou por volta das 14h e durou poucos minutos, tempo suficiente para derrubar várias árvores. A maior delas caiu sobre o muro de uma residência localizada na quadra 2 da Julião Fernandes São Romão, na Vila Industrial. Por sorte, não houve feridos.

No mesmo bairro, na quadra 3 da rua Perdizes, a queda de alguns galhos atingiu a fiação e, segundo moradores, interrompeu a energia elétrica.

Na rua Salvador Filardi, na Vila Falcão, outra árvore também despencou. Dessa vez, sobre um carro que estava estacionado. Como o veículo estava vazio, ninguém se feriu. “Cerca de 15 árvores caíram em diversos pontos da cidade, como nas vilas Falcão, Cardia e os parques Viaduto e Vista Alegre. Felizmente, só houve danos materiais”, explica Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil,

E não foram somente as árvores que sofreram com os ventos de mais de 70 quilômetros por hora. Uma construção na quadra 7 da avenida Rodrigues Alves ficou ameaçada e foi sinalizada pela Defesa Civil.

O perigo é que, bem em frente a esse imóvel, há um ponto de ônibus. Por conta disso, muitas pessoas se arriscavam ao lado da faixa de isolamento. Algumas mais prudentes preferiram ir até a próxima parada para ficar longe do perigo.

Poucos minutos após ter começado, a chuva e os ventos já se enfraqueciam. Porém, o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru previa que outras duas fortes tempestades atingiriam a cidade.

A previsão se confirmou por volta das 16h30, quando o céu novamente se escureceu e as fortes rajadas de vento voltaram. Na quadra 7 da Rodrigues Alves, a reportagem flagrou o exato momento que um grande vidro caiu de um prédio sobre um ônibus em movimento.

“É sempre assim. Os vidros começam a cair desse prédio. Não sei como não aconteceu uma tragédia aqui. Hoje, foi o segundo que caiu”, conta o comerciante Moraes Feitosa, 59 anos, proprietário de um estabelecimento localizado em frente ao prédio.

 

Alagamentos

Nas sucessivas tempestades, a força dos ventos assustou mais do que a quantidade de água, que, segundo o IPMet, foi de 42,2 milímetros até o fechamento desta edição. Entretanto, mesmo assim, a cidade apresentou os costumeiros pontos de alagamento.

Um dos mais críticos foi na rotatória da Alfredo Maia com a Castelo Branco. No local, o trânsito foi impedido e somente coletivos se arriscavam a fazer a travessia. Motociclistas passavam pela calçada para se livrar da água. Pavimentadas, as quadras 27 e 28 da rua Bernardino de Campos voltaram a ser momentaneamente um grande lamaçal. O problema foi que o barro de ruas paralelas desceu todo para a via. 

 

"Engenhocas"

Apesar de assustar, os problemas causados pela chuva não são mais novidades para os bauruense. Pensando assim, Yugi e Sussumu Yamamoto, que são proprietários de um estabelecimento na Rodrigues Alves, construíram uma “engenhoca” para se prevenir.

A fim de evitar que a água entre no local, eles possuem um conjunto de três madeiras para cada porta. Uma das madeiras é usada como barreira e os outros dois, feitos sob medida, servem de apoio para fazer pressão e para que a água não invada o estabelecimento. “A vida inteira foi assim. Então, temos que nos prevenir”, relata Yugi Yamamoto.

 

80 interrupções elétricas

Em vários bairros de Bauru, surgiram reclamações de falta de energia elétrica. A assessoria de comunicação da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) confirmou que diversos pontos da cidade foram afetados pelas tempestades na tarde de ontem.

De acordo com a assessoria, somente em Bauru, foram aproximadamente 80 interrupções de energia elétrica. Até o fechamento desta edição, técnicos da CPFL ainda trabalhavam nos reparos e a expectativa é de que, até o final da noite, todo o serviço estivesse na normalidade.

 

Previsão

De acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), ainda há chances de chuva para hoje. Porém, a tendência é de que seja mais moderado do que as tempestades de ontem. “A população deve estar preparada para chuvas durante a tarde e a noite”, explica o meteorologista André Mendonça de Decco.

Já para amanhã e o restante dos dias, a probabilidade de chuva diminui bastante. Segundo o IPMet, há apenas 5% de chance de precipitações.

 

Granizo

Alguns bauruenses relatam que chegou a chover granizo ontem. Segundo Fátima Sardinha, que mora na zona rural da cidade, “as pedras eram do tamanho de um ovo”. “Era por volta das 16h10 quando choveu granizo aqui. As pedras eram assustadoras”, conta a mulher, que mora em um sítio localizado perto do bairro Santa Isabel.

O IPMet confirmou que choveu granizo em alguns locais da cidade, incluindo na própria sede do instituto. 

 

Malavolta Jr.

Malavolta Jr.

Na Vila Industrial, a queda de uma árvore sobre uma residência não deixou feridos

Pessoas se arriscavam em um ponto de ônibus ao lado de um imóvel com risco da parede desabar na avenida Rodrigues Alves

Malavolta Jr.

Malavolta Jr.

Escaldado com o problema das chuvas, Yugi Yamamoto protege o estabelecimento com três tábuas de madeira

 Segundo a CPFL, foram 80 interrupções de energia, como a provocada pela queda de um galho na Vl. Industrial

Malavolta Jr.

Quioshi Goto

Céu escuro anunciava tempestade

O temporal votou a trazer problemas como alagamentos de ruas e avenidas, além de queda de árvores em vários bairros

Aparecida de Fátima Sardinha

Neide Carlos

Na zona rural de Bauru, chegou a chover granizo ontem

Depois da chuva e da ventania, um belíssimo pôr-do-sol