09 de julho de 2026
Nacional

Cai sexto ministro do governo Dilma

Folhapress
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Brasília - O ministro do Esporte, Orlando Silva, 40 anos, deixou ontem o governo, incapaz de resistir às pressões que sofreu desde que foi acusado de desviar dinheiro público para seu partido, o PC do B.

Ele é o sexto ministro a cair desde que a presidente Dilma Rousseff assumiu em janeiro, e o quinto a sair sob suspeita desde a queda do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, em junho. Em média, Dilma perdeu um ministro a cada 50 dias desde sua chegada ao poder.

Ele será substituído interinamente pelo secretário-executivo do ministério, Waldemar Manoel Silva de Souza. Entre os cotados para assumir a vaga estão o presidente da Embratur, Flávio Dino, e os deputados Aldo Rebelo (SP) e Luciana Santos (PE), todos do PC do B.

Três fatores levaram a presidente a concluir que a situação de Orlando se tornou insustentável nos últimos dias. A autorização do Supremo Tribunal Federal para que um inquérito examine irregularidades nos convênios feitos pelo ministério com ONGs nos últimos anos transformou Orlando num ministro sob investigação.

Na terça-feira, ataques da oposição tumultuaram uma audiência convocada pela Câmara para discutir com o ministro os preparativos para a Copa de 2014. Por fim, uma reportagem da “Folha de S.Paulo” mostrou que um ato do próprio Orlando beneficiara no passado o policial que há duas semanas se transformou no pivô do escândalo no ministério.

Orlando e a cúpula do PC do B foram informados da decisão de Dilma de afastá-lo numa reunião na manhã de ontem no Palácio do Planalto.

Logo após deixar encontro com a presidente Dilma, o ex-ministro disse que sua saída foi uma decisão “consciente” para que o PC do B não fosse um “instrumento” de ataques ao governo. “Nosso partido não pode ser instrumento de nenhum tipo de ataque ao governo. A melhor solução seria eu me afastar do governo”, afirmou a jornalistas. “Essa foi uma decisão consciente que eu tomei, e a presidente me apoiou”, disse Orlando, que admitiu que a situação gerou uma “crise política”.

Acompanhado do presidente do PC do B, Renato Rabelo, Orlando brincou, avisando que teria de “ser breve” porque era o aniversário de sua mãe.

O ministro chamou o policial militar João Dias Ferreira e o motorista Célio Pereira, delatores de supostas irregularidades no Esporte, de criminosos, e afirmou que eles “fugiram do Congresso porque não tinham provas”.

Orlando negou a existência de esquema de desvio de verbas públicos envolvendo ONGs ligadas ao PC do B tenha se enraizado na pasta. Disse que os convênios suspeitos foram e estão sendo investigados.