A deficiência no abastecimento de água em Bauru é um dos principais alvos das críticas, cada vez mais contundentes, ao Departamento de Água e Esgoto (DAE). A falta de investimentos permanentes nos últimos anos é reconhecida pela administração municipal e, ainda que tudo saia conforme o planejado, o governo Rodrigo Agostinho (PMDB) terminará seu mandato com déficit de sete poços para captação de água, diante ainda da necessidade iminente da construção de uma nova Estação de Tratamento de Água (ETA).
No início do mês, o município passou por mais um período em que ficou, novamente, evidenciada a necessidade de investimentos na produção de água, com as torneiras secas em diversos bairros. Mas a "despreocupação" com o tema é tamanha que não há previsão no Plano Plurianual (PPA) para a perfuração de um poço sequer.
Em razão disso, na peça orçamentária para 2012, recursos para que três poços sejam perfurados foram tabulados na mesma conta que prevê, por exemplo, os gastos da autarquia com energia elétrica. Com custo médio individual de R$ 1,2 milhão, os poços programados para o ano que vem serão localizados no Jardim Manchester, outro na área Norte para reforçar o abastecimento da região do Núcleo Gasparini e o terceiro próximo ao condomínio Lago Sul.
O presidente do DAE, André Andreoli, no entanto, diz que o poço não será perfurado para abastecer o empreendimento particular. Diante da escassez em investimentos e da demanda acima da produção de água na Zona Sul, a autarquia é pressionada a exigir dos empreendimentos de maior padrão que perfurem seus próprios poços, repassando a estrutura para o DAE operar depois.
Mas a programação de obras no segmento, embora abaixo da demanda, persiste. Perfurações de poços no Otávio Rasi e no Bauru 16 estão sendo licitados, mas essas obras contam com recursos do exercício de 2011. Outros dois poços, na Vila Cardia e no Jardim Marabá, devem iniciar a operação em 2012.
Abaixo da demanda
Apesar da retomada dos investimentos na produção de água, o presidente do DAE afirma que seriam necessários mais, pelo menos, sete poços para que o abastecimento de Bauru alcançasse patamar um pouco mais confortável. Ainda assim, Andreoli pondera que a captação de água subterrânea não deve ser o único caminho para o município, em razão das limitações da capacidade de reabastecimento dos aquíferos.
Nesse sentido, o DAE deve gastar R$ 1 milhão para a contratação de projeto executivo para uma nova ETA para captação no córrego Água Parada. Este manancial há anos é apontado como a principal alternativa para o abastecimento de água de superfície. Mas até agora quase nada foi feito pelo governo local para buscar a alternativa. O presidente conta que um estudo preliminar apontou a viabilidade da proposta para este setor. "A ideia é de alcançar a mesma produção que tem o rio Batalha atualmente", pontuou.
Adreoli admite, no entanto, que esse deve ser um projeto de longo prazo em razão da falta de orçamento e da prioridade em relação à construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vargem Limpa, até mesmo por conta do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o município e o Ministério Público (MP).
Reservação também é
deficiente
O presidente do DAE admite que, tal como a perfuração de poços, a construção de reservatórios é uma questão que deve ser tratada como prioridade no município. Apesar disso, apenas dois estão programados para o ano que vem. Um custará R$ 500 mil e será construído no Parque São Geraldo e outro, na região do Bauru Shopping, está orçado em R$ 350 mil.
O problema da reservação é agravado ainda mais pela predominância de uma cultura disseminada no município em que muitos imóveis não possuem caixa d?águas adequadas. "Não existe qualquer obrigação de fornecimento ininterrupto de água. As residências e empresas precisam armazenar a água que chega", afirmou.
Orçamento 2012 inclui novo reajuste de tarifa com a reposição da inflação
Com o argumento de que o valor cobrado pelo serviço de água é muito baixo e não permite investimentos, o presidente do DAE, André Andreoli, solicitou ao prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) reajuste de 18% na tarifa desse ano. O chefe do Executivo, no entanto, concedeu 11,87%, considerando os índices de inflação dos dois últimos anos.
Para a peça orçamentária de 2012, o DAE já conta também com mais um reajuste pela inflação anual, segundo o presidente. A receita estimada para o ano que vem é de R$ 83 milhões, R$ 12 milhões a mais que em 2011.
Apesar disso, o aumento na arrecadação não vai refletir no dos investimentos tão reclamados. Isso porque o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) da autarquia, que ainda será enviado à Câmara Municipal, prevê impacto de pelo menos R$ 6 milhões a mais na folha de pagamento. Os gastos com pessoal superam 46% da receita estimada.