11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Sebrae: 20 anos de negócios em Bauru

Da Redação
| Tempo de leitura: 7 min

A economia brasileira no início da década de 90 passou por profundas mudanças com o Plano Collor, implantado pela ex-ministra Zélia Cardoso de Mello. Com o confisco das poupanças, houve uma redução nos investimentos e a economia estagnou. A inflação na época chegou a 2.500% ao ano. Apesar deste cenário, o Sebrae iniciou um plano de descentralização e, no dia 10 de outubro de 1991, era inaugurado o terceiro escritório regional da entidade, em Bauru.

Com a estabilidade da moeda a partir do Plano Real, em 1994, as condições mostraram-se favoráveis a novos empreendimentos e o País assistia o nascer de uma cultura empreendedora. Em 1998, o Sebrae-SP realizou uma pesquisa junto a 400 empresas, abordando a expectativas com relação ao futuro da política de estabilização. A pesquisa apontou que o controle da inflação permitiu melhor planejamento da empresa (56%), mas a redução de impostos era a principal reclamação do setor (57%).

"No passado, 70% das empresas que abriam as portas, fechavam no primeiro ano. Atualmente este número está próximo de 40% e parte deste sucesso é mérito do Sebrae e de seus parceiros", lembra o economista Reinaldo César Cafeo, presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib).

Diferentemente dos norte-americanos, que tradicionalmente optam por uma carreira em corporações, o brasileiro tem vocação para seguir uma carreira solo. A simples mudança de função, deixando de ser empregado e tornando-se "patrão", traz grandes consequências.

"Mesmo empreendedores, temos um viés de improvisação e nem sempre as pessoas estão preparadas para enfrentar o mundo empresarial. É preciso ter mais que uma boa ideia e boa vontade. A maioria dos novos empresários esquecem de focar o planejamento, não trabalham em cima de um orçamento, fluxo de caixa, margem de lucro e não sabem formar adequadamente o preço de venda. É para atender essas questões que o Sebrae existe, orientando e capacitando novos empreendedores, desde o planejamento do novo negócio até a avaliação do desempenho da empresa", observa o presidente da Acib.


Ferramenta


Para Domingos Antonio Malandrino, diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) o trabalho do Sebrae-SP tem sido uma ferramenta importante para a consolidação do trabalho das micro e pequenas empresas na região.

"Muito mais importante do que manter-se de porta aberta, é preciso que o empresário tenha sucesso no seu negócio e o Sebrae-SP é um ponto de referência e consulta que o empreendedor busca para iniciar sua atividade. Também é um upgrade para quem já está estabelecido com seu negócio, pois a entidade também possui uma diversidade de cursos, eventos e palestras voltadas para a gestão empresarial", diz Malandrino.

A vinda do Sebrae para Bauru teve uma participação estratégica do empresário Walace Garroux Sampaio, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Bauru e Região (SinComércio), que cedeu uma sala para o funcionamento provisório do Sebrae.

"O Sebrae tinha deixado de ser um órgão público e estava iniciando um projeto de interiorização e trouxemos esse trabalho para Bauru. Na oportunidade, contratamos Rubens Blasco para iniciar esse trabalho e vendo a atuação do Sebrae-SP nessas duas décadas, a entidade mostra uma trajetória bastante interessante, pois nasceu do esforço de poucas pessoas e hoje desenvolve um trabalho respeitado não somente em Bauru, mas em toda região", avalia Sampaio. O escritório regional de Bauru fica na avenida Duque de Caxias, 16-82.

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Lei Geral


Com a aprovação da Lei Geral dos Micro e Pequenos Empreendedores (128/08), diversos municípios passaram a regulamentá-la, como é o caso de Bauru. A parceria com o Sebrae-SP possibilitou a criação da Sala do Empreendedor, que funciona na própria prefeitura, agilizando os trâmites legais, principalmente para a adesão do Empreendedor Individual (EI).

"A prefeitura vem trabalhando bastante a questão do empreendedorismo e geração de empregos, através de projetos que preveem incentivos fiscais, como a própria Lei do MEI, o PAI (Programa o Programa de Atração de Investimentos), cujo projeto de lei foi encaminhado à Câmara. O Programa visa à concessão de isenções tributárias e de créditos fiscais para fomentar o desenvolvimento econômico municipal nas áreas definidas como Zonas de Indústria, Comércio e Serviços (ZICS), nos distritos e minidistritos industriais, e também incentivar a constituição de Condomínios Empresariais Particulares (CEP)s", comenta Rodrigo Agostinho, prefeito de Bauru.

O economista Reinaldo Cafeo é outro entusiasta do EI e defende a criação de mutirões em postos avançados, tornando o trabalho de formalização mais eficaz.

"No passado, tratavam os desiguais de maneira igual. As mesmas exigências de para empresas de grande porte valiam para o pequeno empreendedor. Além disso, a burocracia e o alto custo da abertura de uma empresa desanimavam, já que o que ele ganha não é receita é renda para o pequeno empreendedor. A formalização sem burocracia e de baixo custo aposta na carreira solo, tira a pessoa da fila do desemprego, não traz problemas sociais e muda a vida dessas pessoas", avalia Cafeo.

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Frentes de atuação


O Sebrae-SP trabalha com quatro principais eixos de atuação: comércio, indústria, serviços e agronegócio, fomentando o desenvolvimento de negócios e a melhoria da gestão desses setores.

Um bom exemplo dessa atuação é o trabalho feito em parceria com a Associação dos Produtores de Café de Dois Córregos. Com o apoio do Sebrae-SP, em 2010 os cafeicultores comercializaram pela primeira vez sua safra com compradores internacionais, através da política Fair Trade (preço justo).

Para Sandro Gregolin, presidente da associação, os associados vivem uma nova era. A perceria com o Sebrae-SP possibilitou a mudança de conceitos e otimizou o trabalho em equipe.

"O cafeicultor era individualista e percebemos que, unidos, eles têm mais chances de conquistar o mercado. A qualidade do nosso café ultrapassou fronteiras e hoje o produtor se sente valorizado e seu trabalho reconhecido e recompensado. Com o Fair Trade temos um ganho superior a 15% do praticado no mercado", argumenta Gregolin.

Em Lins, o destaque fica para o programa Jovens Empreendedores Primeiros Passos (Jepp), voltado para a cultura empreendedora, aonde a disciplina Empreendedorismo faz parte da grade curricular dos alunos do ensino básico até o superior, tanto da rede pública como a particular.

O fomento ao turismo regional também é marca registrada do escritório, com a criação do Circuito Turístico "Caminhos do Centro Oeste Paulista", que engloba 10 municípios, com atrativos que exploram roteiros gastronômicos, ecoturismo, prática de esporte de aventura e até mesmo a visitação em uma aldeia indígena.

"O nosso principal trunfo é a diversidade. O turista pode apreciar pratos típicos da comida regional, degustando o vinho das nossas vinícolas, contemplar o voo a vela e assistir a apresentação de uma catira, uma dança típica. Coube ao Sebrae-SP demonstrar que tudo isto pode ser explorado como um produto turístico", comenta José Cabral, presidente do Instituto Soma, uma ONG que fomenta políticas de desenvolvimento regional.

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Gerente aposta em novas
tecnologias de fomento


Milton Debiasi está à frente do escritório regional do Sebrae-SP em Bauru há 8 anos. Nesse período, apostou no fortalecimento em parcerias com diversas entidades como o SinComércio, Ciesp, prefeitura e Acib, além de outras por toda a região. Essas duas décadas de atuação da entidade em Bauru foram reconhecidas neste ano com a indicação, por unanimidade, pelos sócios da Acib, para receber o prêmio de Parceiro do Ano.

"Nesses 20 anos nós fortalecemos a marca Sebrae-SP na região e tivemos um trabalho intenso desenvolvido com nossos parceiros, abrangendo todos os municípios com projetos setoriais nas áreas da indústria, comércio, serviços e agronegócio", avalia Debiasi.

Muito mais do que comemorar os 20 anos de realizações do escritório, o gerente regional já desenha os planos de trabalho para os anos que virão, apostando em novos desafios, com a criação de novos canais de relacionamento, levando conhecimento e capacitação para um público que não pode estar presencialmente nos escritórios.

"Apostamos no uso de novas plataformas, como videoconferências, consultorias por telefone, chats, palestras a distância e a além disso, com o uso do Sebrae Móvel, podemos chegar em pontos remotos em municípios que estão distantes da nossa sede. É um Sebrae mais presente na vida e no negócio dos empreendedores", finaliza o regente regional.