08 de julho de 2026
Geral

Valor da produção agrícola cai 5%

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Mesmo com a valorização de produtos agrícolas no mercado externo, a agricultura de Bauru arrecadou menos do que o esperado em 2010. Com uma produção fortemente centrada na agricultura familiar e voltada ao consumo doméstico, o faturamento não ultrapassou R$ 13,606 milhões, valor 5,26% menor do que os R$ 14,361 milhões arrecadados em 2009.

O volume colhido, entretanto, manteve-se estável. De 76.608 toneladas em 2009, sofreu uma pequena redução para 76.024 toneladas, no ano passado. Ao todo, em Bauru, são considerados apenas 14 itens de lavoura permanente e temporária, que compõem o levantamento "Produção Agrícola Municipal (PAM) 2010", divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Uma das principais razões para a queda foi a diminuição - quase pela metade - na safra do abacaxi, devido ao encerramento das atividades de um grande produtor local. Também impactaram nos números a desvalorização, em maior ou menor intensidade, de itens como laranja, batata doce e banana. A colheita de um dos itens mais importantes para a cidade, a cana-de-açúcar, manteve estabilidade, o que também não ajudou a impulsionar os índices.

Para se ter uma ideia da importância da cultura do abacaxi, é preciso considerar que o plantio do fruto gerou, sozinho, mais que o dobro da arrecadação obtida com o comércio de cana-de-açúcar e um quinto do valor total dos 14 itens considerados pelo estudo. Trata-se de um produto que faturou, de 2006 a 2009, cerca de R$ 3,5 milhões ao ano. Em 2010, o valor caiu para R$ 3 milhões.

"Mas, nos últimos anos, também tem havido uma certa dificuldade para arrendamento de áreas para plantio em Bauru, que estão sendo ocupadas principalmente por cana, citrus e eucalipto. Então, muitos produtores acabam migrando para outras cidades da região", observa Aloísio Costa Sampaio, professor do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Ele seja um produto rentável, o abacaxi apresenta ainda como entrave para a expansão de sua produção o alto investimento em tecnologia e mão de obra, segundo Sampaio. "E vale ressaltar que, em 2011, por conta de duas geadas seguidas de uma estiagem prolongada, a qualidade dos frutos não será boa neste ano, o que deverá impactar, novamente, na rentabilidade dos produtores", aponta.

Consumo interno


A queda na arrecadação também foi impulsionada pela desvalorização internacional de itens como laranja e cana-de-açúcar, mas o comportamento do mercado externo influencia apenas em certa medida a rentabilidade da produção bauruense, que tem sua base forte na agricultura familiar, voltada essencialmente para suprir a demanda do consumo interno.
"A influência do mercado internacional é forte em cidades que tem sua economia agrícola baseada em grandes lavouras de café, cana e laranja, por exemplo. Em Bauru, há dezenas de variedades de agricultura, que abastece o mercado interno. Então, os preços se mantém estáveis e são afetados principalmente quando há problemas climáticos", detalha o presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Maurício Lima Verde.

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Características próprias


Para o presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Maurício Lima Verde, a variação negativa no faturamento de 2010 foi resultado das oscilações características das produções agrícolas da cidade, principalmente pela dificuldade que os pequenos produtores enfrentam para comercializar suas mercadorias a preços competitivos. Mas salienta que a queda, em relação ao todo, representa pouco peso econômico para Bauru e para o Estado.

De fato, segundo dados da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, as lavouras permanentes e temporárias em Bauru representam apenas 9% do total de áreas exploradas pela agricultura. "A maioria é ocupada por pecuária extensiva e eucalipto (73%), embora a produção de cana e laranja também tenha se expandido nos últimos cinco anos", aponta engenheiro agrônomo Sérgio Mitsuo Ishicava, assistente agropecuário da Cati.

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Brasil


No Brasil, o valor da produção agrícola alcançou R$ 154,0 bilhões em 2010, um crescimento de 8,9% em relação a 2009. Entre os principais produtos responsáveis pelo aumento, destacaram-se a cana-de-açúcar, o café, a laranja e o algodão herbáceo.

São Paulo manteve a liderança na participação nacional do valor da produção, com aumento de participação de 16,8% em 2009 para 18,2% em 2010. Em todo o País, o levantamento "Produção Agrícola Municipal (PAM) 2010" mediu as variáveis fundamentais da safra de 64 principais produtos de lavouras temporárias e permanentes da agricultura.