11 de julho de 2026
Geral

Cerca de 15 mil funcionários públicos comemoram hoje seu dia consolidados como importante pilar para a economia

Por Tisa Moraes | Com Redação
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Eles ainda são vistos com preconceito por uma parcela da população, mas na verdade, representam um importante pilar da economia da cidade. Os servidores públicos, que comemoram seu dia hoje, são responsáveis por injetar aproximadamente R$ 234 milhões por ano em Bauru, segundo estimativas de especialistas consultados pelo Jornal da Cidade.

Os números consideram apenas os salários recebidos pela categoria, que atualmente soma cerca de 15 mil profissionais. No entanto, por meio do desempenho de suas funções, eles também ajudam a movimentar diversos setores do comércio, indústria e serviços.

Como exemplo, o economista Reinaldo Cafeo cita toda a cadeia produtiva de materiais hospitalares, escolares e de obras. "É uma rede bastante grande, se considerarmos todas as compras feitas por escolas, universidades públicas e hospitais, além de investimentos em obras como creches e imóveis do "Minha Casa, Minha Vida". Na verdade, o setor público é quem dá o tom do crescimento da cidade como um todo. Se ele investe muito, movimenta toda a economia", observa.

Atualmente, os funcionários públicos de Bauru - nas esferas federal, estadual e municipal - representam o equivalente a 10% da população economicamente ativa e, segundo Cafeo, também são um importante alicerce para setores como o comércio e serviços. "Isso porque os servidores têm seu dinheiro garantido e podem assumir compromissos de longo prazo. É claro que uns ganham mais do que os outros mas, no geral, dão uma grande força e tranquilidade para o mercado", analisa.

Exatamente em razão de alguns cargos serem muito mal remunerados, a média salarial dos servidores ainda é inferior a dos profissionais da iniciativa privada. No entanto, conforme lembra Cafeo, o funcionalismo público ainda permanece como sonho para muitos que estão em busca de bons rendimentos, estabilidade na carreira e garantia de aposentadoria integral.

"A remuneração média é de R$ 1,2 mil, enquanto empresas privadas pagam R$ 1,5 mil. Quem ganha muito no serviço público está no topo da pirâmide, são agentes fiscais federais, juízes. Mas o grande contingente, como professores e servidores de nível médio, tem rendimentos muito baixos", acrescenta.

Distorção


O cientista político Ricardo Ismael, do núcleo de Gestão Governamental e Políticas Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), explica que os altos salários são destinados, na esfera federal, a trabalhadores das grandes estatais ligadas à chamada administração indireta, como Petrobras, Eletrobras, BNDES ou Banco Central. Já na administração direta, que engloba áreas de saúde, educação e segurança pública, há uma defasagem que nem sempre é lembrada quando o assunto são as grandes vantagens do serviço público.

"A esfera federal é quem paga melhor. Mas há uma distorção muito grande que precisa ser corrigida. É claro que setores de fiscalização para impedir o desvio de dinheiro público precisam ser bem pagas, como é o caso de auditores do Tribunal de Contas e fiscais do INSS. Mas o País precisa avançar em áreas sociais e remunerar melhor seus professores, profissionais de saúde e policiais", pondera.

Mesmo assim, de acordo com Ismael, o número de trabalhadores que têm o Estado como "patrão" tende a continuar crescendo, diante do grande número de concursos públicos que vem sendo e ainda serão realizados. Trata-se de uma tendência retomada durante o governo Lula, após um longo período de ajustes fiscais que desencadearam uma série de planos de demissão voluntária principalmente em âmbito federal.

"Quando as finanças públicas ficaram mais organizadas, os concursos voltaram a ser realizados de maneira intensa. E, com um orçamento público mais folgado, os servidores também voltaram a ter condições de obter aumentos reais de salários", aponta. Atualmente, segundo órgãos oficiais consultados, Bauru conta com 5,9 mil servidores municipais, 8,3 mil funcionários estaduais e cerca de 800 trabalhadores federais.