São Paulo - Um grupo de estudantes da Universidade de São Paulo (USP) divulgou uma nota ontem, afirmando que só desocupará o prédio da administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), invadido na noite de anteontem, após a revogação do convênio da universidade com a Polícia Militar.
Cerca de 100 alunos ocuparam o imóvel, localizado dentro do campus da USP, na região do Butantã (zona oeste de SP), após um confronto entre estudantes e policiais militares. A briga ocorreu após a PM deter três estudantes que estariam fumando maconha dentro de um carro, no campus.
Segundo Diana Assunção, do sindicato dos trabalhadores da USP, a repressão foi violenta, com cassetetes, gás pimenta, além das bombas de efeito moral. Ela disse que alguns alunos se feriram.
A PM afirma que conteve a manifestação sem violência e que só houve confronto porque os estudantes atacaram um carro em que estava um delegado. Segundo a corporação, três policiais ficaram feridos e cinco viaturas foram danificadas.
Após o tumulto, os três jovens pegos com a maconha foram levados para a delegacia. Eles assinariam um termo circunstanciado e foram liberados no início da madrugada, já que a droga era para uso pessoal. Na nota divulgada ontem, os estudantes pedem que a PM seja impedida de atuar no campus “em qualquer circunstância”, pedem garantia de autonomia nos espaços estudantis e que a reitoria retire os processos criminais e administrativos movidos contra estudantes, professores e funcionários.
“O que é pior? Tiro, bomba, violência, sangue, ou uma pessoa fumando maconha? Quem é o vilão da história”, questiona um estudante de geografia que faz parte da ocupação e não quis ter o nome divulgado.
Para Larissa Frezzo, 21 anos, estudante de letras, tirar a PM do campus é um exagero. “Mas também não concordo que eles fiquem abordando os universitários.” A funcionária Simone Gomes, 38 anos, pensa no problema da segurança. “Para a gente que acorda às 4h, chega aqui 4h30, é muito perigoso. Não pode tirar a polícia não”, diz.
Outro lado
A reitoria da USP afirmou, em nota, que a decisão de firmar um convênio com a Polícia Militar foi aprovada pelo Conselho Gestor do Campus da Capital e, portanto, pela ampla maioria dos representantes da comunidade acadêmica.
A decisão foi tomada no dia 20 de maio, logo após o assassinato do aluno Felipe Ramos de Paiva da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA).
“A universidade lamenta os incidentes ocorridos na quinta-feira e esclarece que esses fatos serão analisados pelo Conselho Gestor para a apresentação de propostas para o equacionamento da situação”, diz a nota da USP. “Ninguém está acima da lei”
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse ontem que o governo vai apurar possíveis excessos no conflito entre estudantes e policiais. “Ninguém tolera nenhum excesso. Agora, não tem nenhum estudante ferido e nós tivemos policial ferido e várias viaturas danificadas. A lei é para todos, ninguém está acima da lei”, afirmou.
Sobre a presença da Polícia Militar no campus, Alckmin disse que a missão dos policiais é pacífica e tem o objetivo de proteger. Devido ao Dia do Servidor Público, comemorado ontem, não houve aulas na USP.