Dois Córregos - O prefeito de Dois Córregos (73 quilômetros de Bauru), Luiz Antonio Nais, o “Buchinha” (PSDB), anunciou nesta semana a assinatura de convênio com a Secretaria de Estado do Planejamento para a recuperação do prédio da antiga Estação Ferroviária da cidade. O governo do Estado liberou verba de R$ 700 mil para a realização de obras na infraestrutura do imóvel, que está seriamente danificado. A contrapartida do município será de R$ 150 mil.
A liberação do recurso atende a promessa feita pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) quando esteve em Dois Córregos, no mês de agosto, para inaugurar conjunto de casas populares e a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). “Estes recursos são suficientes para recuperarmos toda parte de telhado, piso, janelas, hidráulica, dentre outras edificações”, afirma o prefeito.
Depois de recuperado, o complexo que compreende o prédio da antiga estação, casa do chefe, sanitários e depósitos poderá ser transformado num espaço para Cultura, Educação e Turismo. Nais adianta que a intenção imediata é instalar no local a Escola Municipal de Música e Artes e o Projeto Guri, além dos departamentos de Cultura e Turismo e Educação.
O chefe do Executivo anuncia que, entre novembro e dezembro, devem ser iniciados os trâmites burocráticos para contratação da empresa responsável pelas obras, que estão previstas para começar em janeiro ou fevereiro do ano que vem.
Histórico
O prédio da antiga Estação Ferroviária foi construído em 1912. De acordo com relatos do historiador dois-correguense Anor Scatimburgo no livro “Painéis Históricos de Dois Córregos”, o prédio seria uma réplica da estação de Marselha, na França, destruída na 2ª Guerra Mundial. Em 1941, com a retificação, ampliação de bitola e eletrificação da linha Itirapina-Jaú, Dois Córregos passou a ser também o ponto de partida do chamado ramal de Campos Salles. A estação foi reformada e restaurada em 1986 pela Fepasa, por ter sido considerada uma das mais bonitas e representativas da ex-Companhia Paulista.
A estação de Dois Córregos não faz parte apenas da história da região, mas também da história do cinema nacional. Em 1992, o cineasta Carlos Reichnbach esteve na região para rodar cenas do seu filme Alma Corsária. Mais tarde, em 1998, o cineasta voltou à cidade para imortalizar a vida que havia na estação, na época quase totalmente deteriorada e em completo abandono. A produção do filme conseguiu restaurar partes da pintura.
Pouco tempo depois, a estação foi tomada pelo fogo, que acabou destruindo boa parte de sua estrutura, incluindo três salas da estação e cobertura destas, além da entrada principal do prédio. Em setembro de 2009, o município conseguiu autorização de guarda do prédio da Estação Ferroviária, concedida pela Superintendência do Patrimônio da União no Estado de São Paulo (SPU/SP).