01 de abril de 2026
JC Criança

Conheça a origem das bruxas e a história do Halloween

Maria Slemenson e Thais Romanelli
| Tempo de leitura: 6 min

Amanhã, comemora-se o Halloween, mais conhecido no Brasil como o "Dia das Bruxas". A festa tornou-se um costume entre as crianças, principalmente, dos Estados Unidos. No Brasil, a confraternização vem se tornando cada vez mais conhecida e praticada pela sociedade.

Mesmo aqueles que não tiveram uma infância cercada de contos de bruxaria saberão dizer o que é uma bruxa. Provavelmente a descreverão como uma velha enrugada com uma grande verruga no nariz, que usa chapéus compridos e pontudos, roupa preta e voa em uma vassoura mágica.

Faz experimentos em seu caldeirão, acompanhada por um gato preto. Não à toa essa é a imagem que nos vem à mente: contos infantis e filmes reforçam o papel da bruxa como a velhota malvada.

Para entender de onde surge essa influente personagem literária, é necessário fazer uma viagem no tempo. Em meados do segundo milênio antes de Cristo (a.C), os celtas surgiram na Europa Central e difundiram sua religião, uma das mais antigas do mundo. A raiz filosófica-espiritual era baseada na reverência a duas grandes divindades: A Deusa-Mãe e o Deus Cornífero.

Acreditava-se que esses deuses garantiam a prosperidade da descendência, da agricultura, do gado e o sucesso da guerra. Os druidas, praticantes da religião celta, ensinavam a arte da agricultura, da cura com ervas, da caça, entre outras coisas.

Realizavam festas ritualísticas em homenagem às divindades, além de iniciarem as pessoas nos preceitos da arte mágica. Eles também eram versados em muitas artes de adivinhação, acreditavam na comunicação com os espíritos da natureza e na previsão do futuro.

Daí surge a ideia de bruxaria, práticas intermediárias entre o plano dos deuses e dos homens. As produções literárias têm seu pé nessa cultura. Muitas bruxas retratadas nos contos de fadas são personagens com poderes especiais, capazes de feitos inacessíveis a pessoas comuns e, por essa razão, muitas vezes representadas como aterrorizadoras.

____________________

Como conciliar
as duas culturas?


Tornou-se tradição, no dia 31 de outubro, algumas escolas brasileiras celebrarem o Halloween, o Dia das Bruxas. As crianças, principalmente do ensino infantil, vestem fantasias de bruxas, vampiros, fantasmas e outros monstros para comemorar... Comemorar exatamente o quê?

A festa, que é popular nos Estados Unidos, chegou às crianças brasileiras por meio de programas televisivos. Fica a pergunta: de que forma trabalhar o Halloween dentro da escola? Até que ponto é interessante para as crianças participarem de uma manifestação cultural estrangeira?

Comemorar apenas por comemorar, além de, muitas vezes, ocupar o tempo de aulas realmente importantes não acrescenta nada na formação das crianças. Não adianta celebrar uma data na escola que não represente nada para a realidade do estudante. "É preciso explicar como a festa surgiu e contextualizá-la para que os alunos criem uma identificação. Só assim a comemoração fará sentido", diz a professora de inglês Cristina Malville Alonso, que trabalha com seus alunos de 4 a 6 anos.

Com a ajuda de fotos, vídeos e outros materiais didáticos, ela resgata a história original da data e de seus personagens. As crianças descobrem que a origem do Halloween remete às crenças celtas. Para quem não sabe, este povo da Irlanda acreditava que, no último dia do verão no hemisfério norte, os espíritos saíam do cemitério para tomar conta dos corpos dos vivos. Aterrorizante, a comemoração pagã, foi condenada na Europa, passando a ser conhecida como Dia das Bruxas. Graças à imigração dos irlandeses para a América, o Halloween se tornou uma data especial nos Estados Unidos.

____________________

Halloween ou Dia do Saci


Limitar a comemoração à disciplina de inglês pode ser uma boa alternativa, bem como introduzir, de maneira sutil, a questão da influência de outras culturas graças à imigração e à globalização. Vale também apontar às crianças as diferenças culturais entre os vários países e até, quem sabe, discutir o choque cultural.

Voltar às atenções no mês de outubro para o Dia das Bruxas é realmente um problema. É preciso ter cuidado e lembrar às crianças que, originalmente, esta data não faz parte da nossa história e tradição. Pensando nisso, o Governo do Estado de São Paulo decretou, em 2005, o Dia do Saci, no mesmo dia 31 de outubro. Coincidência? Sem dúvida não, a iniciativa foi uma forma de valorizar a cultura brasileira e tentar coibir a americanização - já que, no imaginário do Brasil, o saci é um símbolo.

Integrar o inglês com as demais disciplinas, proporcionando discussões que vão além da comemoração do Halloween é uma boa maneira de não enaltecer a data de forma prejudicial. É interessante estudar inicialmente a própria cultura, para depois conhecer as demais.

Realizar um projeto sobre o folclore brasileiro aproxima as crianças da cultura brasileira e ajuda a introduzir a questão da americanização. Foi o que fez a professora Cristina: "Trabalhamos muito com interdisciplinaridade e grandes projetos, o mês de agosto é dedicado ao folclore. Com a ajuda de livros sobre lendas colocamos os alunos frente a frente com uma coisa extremamente brasileira e assim os preparamos para conhecer novas culturas", diz.

____________________

Todas as bruxas são iguais?


Definitivamente, a resposta é não. As bruxas dos diferentes contos de fadas têm poderes e maldades muito particulares. Em João e Maria, a bruxa recebe uma visita inesperada das crianças que estão perdidas na floresta. Vê nesta visita uma oportunidade de devorá-las.

Ela atrai-as deixando que comam parte de sua casa de açúcar para então aprisioná-las. Esta possui características de personalidade diferentes da bruxa de A Bela Adormecida. A fada má invade a festa da jovem debutante ofendida por não ter sido convidada e, em represália, roga uma praga para a doce princesa.

Bastante diferente é a bruxa da Branca de Neve: a esposa de seu pai inveja sua beleza e se passa por uma senhora para envenenar a menina. A forma como as bruxas aparecem nos contos e os comportamentos que assumem ao longo da narrativa são peculiares e podem ser observados pelas crianças.

____________________

Por que a vassoura da bruxa é voadora?


Na literatura, existe algo que chamamos de licença poética, que nada mais é do que ter plena liberdade para criar e inventar. Isto é o que explica o fato de uma donzela dormir por anos e nem por isso morrer de fome. Ou mesmo uma pobre menina ser devorada pelo lobo mau e ser retirada em vida da barriga do animal.

O mesmo acontece com a vassoura mágica. Na cultura da bruxaria, ela deve ser colocada atrás da porta de entrada, de ponta-cabeça, para proteger a casa do mal. Na literatura, ela pode ter esse e tantos outros poderes, como por exemplo, ser um eficiente transporte voador para a bruxa!