09 de julho de 2026
Internacional

Ditador sírio adverte os ocidentais


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Síria - O ditador da Síria, Bashar Assad, subiu o tom e advertiu ontem que uma eventual intervenção das potências ocidentais em seu país poderá transformar a região em “dez Afeganistões”.

Pressionado por sua violenta repressão aos protestos que tomaram conta do país nos últimos sete meses, Assad afirmou ao jornal britânico “Sunday Telegraph,” em rara entrevista, que “um terremoto” vai varrer o Oriente Médio se houver alguma ação contra a Síria.

 Foram as declarações mais severas do ditador sírio até agora. “Neste momento, a Síria é o ponto central da região; é a falha geológica. Se você mexer no terreno, vai causar um terremoto”, disse. “Você quer ver outro Afeganistão, ou dez Afeganistões?”

Os protestos contra o governo sírio começaram com a Primavera Árabe, que derrubou autocratas na Tunísia, no Egito e na Líbia. Segundo a ONU, a repressão de Assad contra manifestantes deixou mais de 3.000 mortos desde março. Ativistas dizem que as forças sírias mataram mais de 50 civis nas últimas 48 horas.

Hoje, autoridades da Otan (aliança militar ocidental) afirmaram que é muito pouco provável o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea na Síria, semelhante à que foi implantada na Líbia, porque uma intervenção em território sírio não obteve consenso internacional nem apoio regional.

Por enquanto, os EUA e seus aliados têm mostrado pouca disposição em intervir, mas propuseram uma resolução na ONU para impor sanções contra o regime. China, Rússia e Brasil se opuseram.

Os países ocidentais “definitivamente vão aumentar a pressão”, disse Assad. “Mas a Síria é diferente do Egito, da Tunísia e do Iêmen em todos os aspectos. A história é diferente, a política é diferente.”

Ao contrário de Gaddafi, Bashar  Assad tem vários aliados na região. Um conflito na Síria poderia desencadear turbulência mais ampla no Oriente Médio, envolvendo Irã e Israel. A Síria é o maior aliado do Irã e tem ligações com o Hizbollah, do Líbano, e o Hamas, que controla Gaza.