11 de julho de 2026
Nacional

Nova classe média favoreceu Dilma Rousseff nas eleições presidenciais

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Caxambu - O PT sai na frente na disputa pelos votos da chamada nova classe média. Os primeiros dados objetivos sobre o comportamento eleitoral desse grupo confirmam as hipóteses dominantes: Dilma Rousseff (PT) foi a mais favorecida em 2010.

Estudo dos pesquisadores Lucio Rennó (Universidade de Brasília) e Vitor Peixoto (Universidade Estadual do Norte Fluminense) mostra de maneira inédita que a percepção de ascensão social nos anos Lula aumentou em 78% a chance de o eleitor ter votado em Dilma em 2010.

“Até seria de esperar, mas isso não tinha sido demonstrado: quem percebe ascensão social recompensa o governo. No entanto, não há diferenças tão significativas de voto entre quem percebe queda e quem identifica imobilidade”, afirma Peixoto.

Em 2010, Dilma teve 48,6% dos votos no primeiro turno. Segundo o trabalho, entre os eleitores que perceberam ascensão de sua própria classe, ela chegou a 57,4%. A petista alcançou apenas 35,3% entre os que sentiram queda e ficou com 38,1% entre os que identificaram imobilidade. No segundo turno, o impacto da mobilidade social é ainda mais visível.

O candidato derrotado José Serra (PSDB), que teve 36,8% dos votos, conquistou 50,4% (suficiente para ser eleito, portanto) dos eleitores que perceberam queda de classe social e apenas 29,1% dos que viram ascensão (e 45,5% dos que notaram imobilidade).

Em contrapartida, Dilma, que teve 57,2% dos votos, chegou a 66% entre os que perceberam ascensão de sua própria classe e 43% entre os que sentiram queda (e 47,1% entre os que viram imobilidade).

O trabalho de Rennó e Peixoto foi feito com base nos dados do Estudos Eleitorais Brasileiros (Eseb), pesquisa realizada com 2.000 pessoas logo após as eleições de 2010.

Apresentado pela primeira vez no 35º encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), em Caxambu (MG), o estudo foi bem recebido pelos colegas por mensurar, pela primeira vez, o impacto da mobilidade social nas últimas eleições.

De acordo com a pesquisa utilizada, 55% dos entrevistados perceberam ascensão social, 7,5% notaram queda e 37,5% viram estabilidade. A maior fatia está entre aqueles que sentiram mudança das classes baixa e média-baixa para as imediatamente superiores, constituindo boa parte do que vem sendo chamado de nova classe média.

O grupo - cerca de 30 milhões de pessoas - é um dos principais alvos de petistas e tucanos para as eleições presidenciais de 2014.