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Malavolta Jr. |
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Flores e movimentação marcaram o Dia de Finados nos cemitérios |
O tempo bom, sem chuva e com temperatura amena, aliado ao feriado no meio da semana, dificultou as famosas ‘esticadinhas’ com o final de semana. Isso ajudou a aumentar o número de pessoas que visitaram os cemitérios públicos de Bauru. A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) estima que superou 50% de suas previsões o volume de pessoas. A estimativa é de que 30 mil bauruenses tenham visitado seus entes e amigos falecidos ao longo de quarta-feira. Quase 125 mil pessoas já foram sepultadas no município.
Por conta do feriado em plena quarta-feira, muitos deixaram de viajar e resolveram zelar pela tradição de visitar aqueles que já ‘passaram dessa para a melhor’. Os costumes parecem também terem sido mantidos. Sem muitas extravagâncias nas homenagens, os bauruenses recorreram às flores – naturais ou de plásticos - e às velas para suas homenagens. O maior volume de visitas aos cemitérios foi registrado no período da manhã.
Em alguns casos, a tradição é de família. É o caso das irmãs Balduíno de Andrade. Desde 1972, Márcia, Marilda e Marilza visitam o túmulo do pai no dia de Finados, no cemitério da Saudade. Em 2003, a mãe delas também faleceu. “A gente vem juntas sempre. Não apenas no Finados, mas nos aniversários deles e em todas as datas especiais. Somos em cinco irmãos, mas dois não puderam estar hoje”, conta Márcia.
Marilza explica que, diferente de outros feriados, a data de 2 de novembro é voltada para o recolhimento. “Nesse dia, nós todos ficamos mais quietos, as lembranças vêm à tona e sentimos muita saudade. Esses momentos são importantes”, afirma. Sua irmã Márcia, porém, é um pouco mais pessimista. “É um dia fechado e triste”, ressalta.
Apesar disso, elas contam que a fé ajuda no conforto dos momentos difíceis. Católicas praticantes, as irmãs acreditam que vão encontrar com seus pais, tios e avós na vida eterna. “Quando os nossos pais morreram, não tínhamos perspectivas sobre felicidade, mas conhecemos a palavra de Deus e confiamos na ressureição. Isso nos dá a esperança de dias melhores”, diz Marilza.
Além de cuidar do túmulo e levar flores a seus pais, as três irmãs não deixam de fazer uma oração todas as vezes em que visitam o cemitério.
Tudo no papel
Outra tradição mantida nas visitas aos cemitérios nos dias de Finados foi a busca por auxílios de funcionários da Emdurb para a localização de túmulos. Parece incrível, mas, em plena era digital, a consulta aos endereços permanece nos livros.
Gerente de Necrópole e Funerária, Paulo André garante que todo o sistema é informatizado, mas os cemitérios não dispõem de computadores em razão dos altos índices de vandalismo e furtos, em razão da ausência de vigias da prefeitura. “Existe uma central, onde as informações estão digitalizadas, mas ainda não podemos trazer essa ferramenta para todos os cemitérios”, admite.
Grávidas buscam ‘túmulo milagreiro'
Apesar de visita a cemitério celebrar Finados, mulheres com gravidez difícil procura alento em jazigo de benzedeira
A procura por sepulturas ‘famosas’ desperta a curiosidade dos visitantes e no Dia de Finados os túmulos de pessoas mortas que a cultura popular atribui a existência de supostos milagres ainda são “cultuados”. É o caso da parteira e benzedeira Maria Nunes, morta em 1917. Ela era conhecida por ajudar as pessoas mais pobres e, hoje, é procurada para auxiliar mulheres grávidas em gestações difíceis. Além das flores, imagens de santos e santas abarrotam seu túmulo.
A dona de casa Fátima Aparecida Barbosa, por exemplo, levou flores e acendeu velas ontem para o ‘túmulo milagreiro’, no Cemitério da Saudade. Ela conta que soube da história da parteira por sua mãe e tem fé em Maria Nunes. Por conta disso, veio pedir ajuda para sua filha, que está no quarto mês de uma gravidez e passa por dificuldades. “Tenho certeza de que tudo vai dar certo”, profetizou.
Os mortos mais visitados atraem até mesmo fieis de religiões que não celebram o Dia de Finados. É o caso da dona de casa evangélica Ana Maria Persilha, que foi ao cemitério da Saudade conhecer o túmulo de Mara Lúcia Vieira, estuprada e assassinada em 1971, aos nove anos de idade. “Conhecia a história e tinha vontade de vir aqui, visitá-la”, afirmou.
Quatro dias após ter desaparecido, o corpo de Mara Lúcia foi encontrado, já em decomposição, em uma residência abandonada na quadra 8 da rua Professor José Ranieri. O caso causou comoção e até hoje não foi elucidado. Muitas pessoas acreditam que a interferência da menina ajuda na recuperação da saúde de crianças.
O Cemitério da Saudade é palco para a maioria dos túmulos considerados ilustres. João Henrique Diz foi primeiro ‘morador’ do local. Segundo memorialistas, ele doou o terreno para a construção do cemitério, inaugurada em 1908. Um dia depois da solenidade, teria cometido suicídio com um tiro no coração para ser o primeiro a ser sepultado no cemitério. Outros nomes ilustres habitam o local, como Batista de Carvalho.