08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Alunos da USP X PM


| Tempo de leitura: 3 min

É com imensa indignação e profunda preocupação com o futuro do meu filho que desabafo neste conceituado jornal. Hoje, quinta-feira (27/10), ao assistir a uma reportagem na Rede Globo (no Jornal Hoje), não consegui acreditar no que estava vendo e ouvindo, tanto que entrei na internet para rever a matéria, pois achava que havia entendido errado, mas não, era isso mesmo: alunos em confronto com a Polícia Militar e com o delegado por abordar e levar para a delegacia três alunos que fumavam maconha no estacionamento em frente ao prédio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciencias Humanas (FFLCH). Surreal!!!! Polícia, em tese, existe justamente para isso: combate ao crime! Qualquer pessoa, seja ela estudante ou "ignorante", sabe que maconha, por enquanto, é considerada uma droga ilícita (Lei 11.343/06) e, quem for flagrado com a mesma, sofrerá as consequencias (artigo 28 desta mesma Lei), sendo elaborado um Termo Circunstanciado de Ocorrência na Delegacia de Polícia.

Eu queria entender o que estes "alunos" alegaram em defesa dos outros "alunos" maconheiros.... Porque eles agrediram policiais que estavam cumprindo seu dever legal, ou seja, trabalhando e sendo pagos pelo Estado, com recursos obtidos através do nosso pagamento de impostos, aliás, não só o salário destes policiais que estamos bancando não, estamos bancando o estudo destes "alunos" nesta universidade, o conserto das oito viaturas apedrejadas por eles, além dos reparos que serão feitos no patrimônio da USP.

Mas como se não bastassem, os absurdos não param por aí: os "alunos" defensores dos maconheiros estavam agora acampados, com a cabeça coberta por tecidos, ficando apenas seus olhos visíveis (iguais àqueles bandidos que seguram os reféns enquanto "negociam" com policiais ou aqueles que fazem rebeliões em presídios) em frente ao prédio da administração de tal universidade exigindo a revogação do convênio com a Polícia |Militar, convênio este firmado após a morte do estudante de Ciências Atuariais Felipe Ramos de Paiva, - morto com um tiro na cabeça no estacionamento do câmpus, após sacar dinheiro num caixa eletrônico dentro do câmpus mesmo. Na época, o Centro Acadêmico Visconde de Cairu (USP/SP) elaborou e distribuiu uma carta aos alunos onde, após relatar o aumento de sequestros, assaltos e furtos sofridos por alunos, professores e funcionários, evidenciava a necessidade de se debater a segurança no cotidiano universitário, o que foi feito, ou seja, a Polícia Militar estava lá a pedido da USP!

Não seria o caso deste mesmo centro acadêmico elaborar uma carta, agora de repúdio às atitudes destes alunos agressores? Não seria o caso de a USP se manifestar também? Eu estou fazendo isso não só como estudante nem como cidadã, mas como mãe! Pergunte para a mãe do Felipe, que teve seu filho assassinado por um drogado a procura de mais dinheiro para sustentar seu vício, o que ela acha da retirada da Polícia Militar do local, simplesmente cumprindo com sua obrigação, cumprindo o seu dever legal! Pergunte para uma mãe que educa seus filhos com relação ao perigo das drogas, o que ela acha disso? Melhor: pergunte para uma mãe que tem seu filho (a) na USP de São Paulo e que não dorme enquanto ele (a) não chega (devido aos fatos relatados pelos próprios alunos), o que ela acha da retirada da Policia Militar do local? Será que só eu estou errada por achar isso um absurdo?

Hoje, mais do que nunca, estamos presenciando a destruição que as drogas vem causando na sociedade, dentro das escolas, nos lares, e, assistindo a esta matéria, não há como não me revoltar contra estes alunos. Tá certo que não podemos proibir os jovens de se drogarem, correto? Mas ao fumarem maconha em local aberto, assumem o risco de serem flagrados, é ou não é? Mas daí a agredirem policiais por abordar e levar para a delegacia os colegas que estavam fumando ali, seria muita cara de pau ou certeza da impunidade neste país. Seria a atitude destes alunos agressores mais uma prova da destruição causada pelas drogas nos jovens chamados de futuro do Brasil?


Daniela Bigal, aluna do 2o. Termo de Direito IESB/PREVE, Bauru. RG. 29.506.997-4.