São Paulo - O grupo que invadiu a reitoria da Universidade de São Paulo (USP) se reuniu com uma comissão da universidade e, mais tarde, foi intimado pela Justiça a deixar o prédio até as 17h de hoje.
A reitoria propôs - com a condição de que eles desocupassem o local - a criação de grupos de trabalho para discutir o convênio firmado com a Polícia Militar e processos disciplinares abertos.
A comissão que representa os invasores - os professores Luiz Martins e Jorge Luiz Souto Maior, dois funcionários do Sintusp (sindicato dos trabalhadores) e seis alunos - considerou a proposta insatisfatória, porque não cogita o fim do convênio. “Estamos abertos a continuar dialogando, mas a proposta é imposição da reitoria contra o movimento”, diz Marcello Santos, do Sintusp.
A reunião durou três horas. Os dois representantes da reitoria - Wanderley Messias, superintendente de relações institucionais, e Alberto Carlos Amadio, chefe de gabinete - disseram que aquela era a proposta final e que os alunos deveriam procurá-los se quisessem novo encontro. Uma reunião de conciliação foi marcada pela Justiça para hoje.
O imbróglio começou após três alunos serem detidos com maconha na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), na quinta-feira da semana passada. Houve confronto entre estudantes contrários à prisão e PMs. Ao final, uma assembleia decidiu pela ocupação de um prédio da faculdade (veja quadro).
Nova assembleia, de mais de 1.000 alunos, ocorreu na terça e votou pela desocupação da FFLCH, mas o grupo derrotado na votação, formado por entidades minoritárias, decidiu invadir a reitoria.
A Justiça acatou pedido da USP e determinou a desocupação do prédio em até 24 horas, a partir da intimação, que ocorreu às 17h de ontem. A decisão autoriza uso de força policial ao final desse prazo. O oficial de Justiça foi impedido de entrar no prédio e teve que ler a notificação, sob vaias, já que os invasores se recusaram a recebê-la.
Ontem, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o comandante da PM, Álvaro Camilo, definiram estratégias para a desocupação.
Os invasores dizem que ficam ao menos até quarta. A reitoria chegou a cortar energia e internet do prédio.
O Tribunal de Justiça diz que, apesar de o prazo se esgotar hoje às 17h, a execução da ordem judicial, com apoio da PM, ocorreria na segunda. A reitoria disse que a reintegração está com a Justiça.