08 de julho de 2026
Nacional

Web deve ser serviço básico, diz consultor

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Consultor especializado em telecomunicações, o sueco John Strand, 45 anos, presidente da Strand Consult, é um dos principais analistas de negócios entre as operadoras.

Em visita recente ao Brasil, defendeu a obrigatoriedade do acesso à Internet nas construções residenciais como forma de aumentar o alcance da rede de forma rápida.

Em entrevista, Strand falou sobre o projeto do gênero na Coreia do Sul e também sobre os desafios brasileiros na área.

 

Pergunta - Como a internet funcionaria como serviço básico?

John Strand - A forma mais eficiente é obrigar as novas construções a ter a estrutura para levar banda larga, como acontece com água ou luz.

As construtoras poderiam fechar acordo com as operadoras e oferecer a predisposição à conexão, o que permitiria o acesso massivo à rede porque levaria o acesso também para vizinhanças onde existem residências antigas.

 Quais os principais benefícios da obrigatoriedade?

O usuário não fica dependente da disponibilidade da oferta. Já as empresas ganham com o estímulo à demanda. Podem atingir 2 milhões de casas de uma só vez.

 

A predefinição da operadora não limita a escolha do morador sobre seu fornecedor?

Uma parceria com uma operadora não exclui outras, a definição do provedor pode ficar a cargo do usuário.

 Em algum outro lugar do mundo essa iniciativa foi adotada?

A Coreia do Sul começou um programa do gênero no início da década passada e foi determinante na inclusão digital. Essa é uma ideia que deve estar na mesa, no debate público e no centro das discussões do sistema político.

 Quais são os desafios para o Brasil em telecomunicações?

O principal é conectividade nas áreas rurais. É difícil ver retorno financeiro nessas áreas, mas, se as empresas ganham dinheiro em outras regiões, isso já deveria ser o suficiente para justificar os investimentos no campo.

 Há algum modelo que poderia servir de estímulo?

Uma possibilidade seria oferecer incentivos para outras regiões lucrativas ou o compartilhamento de infraestrutura 3G entre as operadoras para reduzir custos, como aconteceu na França e deu resultado.

 O que esperar do desempenho do Brasil em internet até a Copa ou a Olimpíada?

Esses não devem ser vistos como a finalidade das políticas atuais. São eventos que vão gerar tráfego às redes, mas a estrutura precisa considerar a demanda do próprio país, que está em expansão.

 Qual o potencial futuro do  país em comunicações?

O Brasil é o terceiro maior mercado em computadores e está em uma posição única em diversos aspectos. É uma grande oportunidade ter estratégias públicas de internet. Isso poderá fazer com que o país atinja o maior alcance de banda larga na América do Sul com fibra, banda larga em geral e soluções sem fio.