11 de julho de 2026
Bairros

Caciques tucanos são os campeões em captação de verbas na emendas

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Administrado pelo PSDB há 16 anos, o governo de São Paulo privilegiou um seleto grupo de deputados estaduais tucanos ao liberar recursos para obras indicadas pelos parlamentares ao Orçamento do Estado.

A lista dos que mais captaram verbas para emendas de 2007 a 2010 é encabeçada pelo atual presidente da Assembleia Legislativa, Barros Munhoz (PSDB), reeleito para o cargo neste ano. Antes, o tucano foi líder da gestão José Serra (PSDB) na Casa.

Os dados foram tornados públicos pela primeira vez anteontem e envolvem as administrações de Serra e Alberto Goldman (PSDB).

Além de Munhoz, que apadrinhou a liberação de R$ 11,5 milhões em quatro anos, pelo menos outros quatro parlamentares conseguiram recursos acima da cota informal de R$ 2 milhões anuais para cada deputado.

São eles os tucanos Vaz de Lima, antecessor de Munhoz no cargo, o atual secretário estadual Paulo Alexandre Barbosa (Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia) e Roberto Engler, escolhido para ser o relator do Orçamento neste ano.

Também aparece no topo do ranking o presidente estadual e líder do PTB, Campos Machado, um dos articuladores do acordo nos bastidores para encerrar a investigação sobre venda de emendas no Conselho de Ética da Casa.

Machado disse que as liberações para suas indicações estão “rigorosamente dentro do estipulado”.

As emendas são cobiçadas pelos parlamentares porque, em geral, são recursos para pequenas obras ou compra de equipamentos em seus redutos eleitorais.

A divulgação dos padrinhos das indicações foi feita após a crise gerada com as afirmações do deputado Roque Barbiere (PTB), segundo quem seus colegas negociariam emendas com empreiteiras e prefeitos.

Barbiere não revelou nomes e o caso acabou abafado na Assembleia.


Fluxo

Os dados divulgados apontam ainda que, desde 2007, houve aumento progressivo no montante liberado, atingindo o auge de R$ 257 milhões no ano passado, quando a maioria dos deputados foi às urnas tentar a renovação do mandato.

Neste ano, a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) pagou R$ 45 milhões em emendas, sendo R$ 26 milhões em atrasados do ano passado.

Procurado desde quinta-feira, Barros Munhoz não se manifestou. Vaz de Lima, Roberto Engler e Paulo Alexandre não foram localizados até a tarde de ontem