Brasília - Assessores do Ministério do Trabalho são acusados de cobrar propina para liberar repasses para organizações não governamentais em reportagem da revista “Veja” desta semana.
De acordo com a denúncia, funcionários de órgãos de controle da pasta exigem propina de 5% a 15% do valor dos convênios para resolver “pendências”, que teriam sido criadas por eles mesmos.
Ontem, depois de publicada a reportagem, o ministro Carlos Lupi (Trabalho) determinou a abertura de uma investigação interna e afastou o coordenador- geral de qualificação da pasta, Anderson Alexandre dos Santos.
Santos e o deputado federal Weverton Rocha (PDT-MA), que até outubro era assessor especial de Lupi, são apontados pela revista como os responsáveis pelo esquema de extorsão. Os dois não foram localizados.
O esquema também envolveria Marcelo Panella, ex-chefe de gabinete. Ele teria deixado o ministério após deputados do PDT, partido do ministro, terem denunciado ao chefe de gabinete da presidente Dilma Rousseff o suposto esquema na pasta. Panella negou o fato à revista.
Lupi disse que “não vê fundamento” nas acusações. “Denúncia em que o denunciante não aparece é algo que nos deixa na dúvida de saber qual o interesse da denúncia. Quem denuncia tem que apresenta provas”, disse.
Ele afirmou que o ministério fez um pente fino completo dos convênios com entidades sem fins lucrativos.
“Eu repito sempre que sou como cana de canavial: nem facão nem a queimada arranca minha raiz. Vou até o fim”, afirmou. “Tem muita gente graúda incomodada com a minha presença no ministério, mas pode dizer que eles vão ter que me engolir.”
Uma das ONGs que aparecem na reportagem é o Instituto Êpa, do Rio Grande do Norte, para quem a revista diz que foi pedido propina. Os dirigentes da ONG foram levados ao ministro Lupi pelo ministro Garibaldi Aves (Previdência), do mesmo Estado da entidade. Garibaldi confirma o encontro.
"O Lupi chamou a assessoria dele e disse que não poderia atendê-los porque havia problemas na prestação de contas", afirmou Garibaldi. A reportagem não conseguiu contato com o instituto.
De acordo com a revista, o Ministério do Trabalho firma contratos com ONGs para a realização de cursos sobre capacitação profissional.
As ONGs passariam por uma malha fina na qual os assessores do ministro identificam irregularidades.
Por conta disso, o repasse de recursos públicos é interrompido. A reportagem afirma que, ao procurar a pasta, os representes das ONGs seriam informados que voltarão a receber o dinheiro se pagarem o "pedágio".