09 de julho de 2026
Geral

Psicóloga conceitua o diagnóstico de rejeição e a trajetória da autoimagem

Nélson Gonçalves Especial para Rede APJ
| Tempo de leitura: 2 min

A psicóloga Maria das Graças M. de Araújo, de São José do Rio Preto (SP), que também foi submetida a cirurgia por má-formação, viveu o turbilhão emocional de participar, pela primeira vez, da Missão Fala Sorriso, e, como voluntária, de prestar orientação aos familiares e pacientes atendidos no programa.

"Do ponto de vista da psicologia enxergamos essa pessoa não só no aspecto físico, mas também no quadro psicológico que envolve este paciente. Há que se trabalhar a formação de sua autoimagem, que está associada ao quadro emocional e ao ambiente, o quanto esse ambiente é estimulante ou o rejeita, o quanto esse ambiente o acolhe ou o marginaliza. Isso tem a ver com os grupos que o envolvem e o principal é a família. É a partir desse contexto familiar que ele terá traçada boa parte de sua personalidade, com todas as frustrações advindas disso", aborda.

A psicóloga enfoca a importância de a família ser preparada para receber o filho com a má-formação. "Preparar essa família para que acolha esse filho, sem omitir a verdade e o que ele terá de enfrentar. Consigo ter uma relação empática com esse mundo porque, além da psicologia, também sou paciente, também nasci com fissura lábio palatal. Hoje com 55 anos eu ainda me trabalho muito para que esse processo da auto-aceitarão seja consolidado. Nunca estamos prontos desse processo", reforça.

Maria das Graças pontua que a família, e sobretudo o portador da fissura, enfrentam desde cedo bullying. "Esta família costuma esconder seu filho dos demais e muito mais da sociedade. Esses pacientes enfrentam bullying, enorme rejeição e são motivos de chacota entre os outros filhos desde muito cedo. É muito difícil para eles enfrentar essa pressão e superar e enfrentar a socialização. A criança é muito genuína e diz o que pensa e isso dói muito para o portador da má formação lábio palatal. Reconfigurar e enfrentar esse processo de autoimagem é um trabalho longo", acrescenta.

Para a profissional de psicologia, a essência é que "a pessoa portadora da má formação ouça e entenda, de sua família e dos demais, que é absolutamente normal e que precisa ser e é igual aos demais, pois ouve, fala, pensa e tem sentimentos e emoções e, o mais importante, pode superar isso. Há tratamento e eu sou testemunha disso. Temos de ficar muito atentos à idéia errada de que há rebaixamento de nível cognitivo ou dificuldade emocional. A dificuldade dessas pessoas é se aceitar e interagir. Essas pessoas não apresentam qualquer deficiência de outra natureza, apenas precisam ser orientadas corretamente, terem a auto-imagem trabalhada e passar pelo tratamento. A interação é a melhor forma de cada um ajudar o paciente com má formação", conclui.