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Neide Carlos |
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Guilherme se orgulha do Brasil por causa da cultura e meio ambiente |
A juventude e toda sua heterogeneidade em estilos, classes sociais, preferências, pontos de vista e até faixas etárias não está desanimada com o País. É o que aponta a pesquisa incumbida de realizar um “raio X” do que pensam e anseiam os jovens. A melhor pontuação do resultado é o de que 89% deles possuem orgulho do Brasil.
O estudo, realizado pela empresa de mapeamento Box1824, envolveu 3 mil jovens brasileiros entre 18 e 24 anos, de diversas classes sociais, e demorou cerca de um ano e meio para ser concluído.
Em Bauru, o sentimento patriota entre os jovens confirma os indicadores do levantamento. É o caso de Guilherme Eleutério Alcalde, 2
anos, estudante de fisioterapia. “A cultura e o meio ambiente me dão orgulho. Tem gente que tem mania de falar mal quando sai daqui, mas eles não conseguem ver como temos coisas boas”, explica.
Entretanto, essas pessoas que, conforme ilustra Guilherme, “cospem onde comem” são uma minoria, conforme aponta o estudo. Do mesmo modo otimista, 76% acreditam que o Brasil está mudando para melhor e 87% que o país é ocupa posição importante no contexto global.
Ana Caroline Nunes, 18 anos, vai para os Estados Unidos no final do ano e garante que “vai levar com orgulho sua nacionalidade”. Ela vai junto com Gisele Nuzzi, 17 anos, sua colega de classe no curso de engenharia de produção. Ambas são otimistas em relação ao futuro.
“Os Estados Unidos que se cuidem. Pelo que acompanhamos, em breve, o Brasil será um país de Primeiro Mundo. E sabemos que eles ficarão cada vez mais dependentes de nós”, afirma Gisele.
Para a professora doutora Loriza Lacerda de Almeida, que é pesquisadora na área de juventude, o orgulho de ser brasileiro é produto mais da questão de pertencimento do que do próprio avanço econômico do Brasil.
“O jovem se sente cada vez mais pertencente ao país. Quando ele vê programas e serviços que parecem estar voltados a ele, esse sentimento cresce. Então, isso não tem muito a ver com ampliação de acesso ou desenvolvimento. Mas sim a uma representação de pertencimento”, explica a pesquisadora.
Para Loriza Almeida, as possibilidade de desenvolvimento econômico também tendem a confirmar o otimismo no meio. “Acredito que a propaganda de crescimento é que deixa a juventude tão otimista em relação a mudanças futuras”.
Despolitizados?
Um dos sensos comuns é de que o jovem atual é despolitizado. Em convivência com o regime democrático e longe da influência de uma ditadura, a juventude contemporânea carrega o estigma de não lutar (ou não participar) pelos rumos da política.
Entretanto, questionados sobre o que mais os envergonham no país, os jovens bauruenses foram unânimes: a corrupção. Para a pesquisadora Loriza Almeida, não é possível falar em “despolitização”, sendo preciso analisar contextos de todas as gerações.
“Realmente, havia uma tradição de militância nos anos 8
que não existe mais hoje. Porém, quando o jovem atual diz ‘somos contra a corrupção’ mostra algo. Há um movimento borbulhante”, explica. E, para ela, somente falta descobrir a mecânica para esse movimento, o que pode ser encontrado nas redes sociais (leia mais abaixo).
Loriza Almeida retoma a necessidade de pensar em “juventudes” (no plural mesmo), por isso faz um panorama atual positivo, porém, sem esquecer das especificidades. “A categoria alcançou sua cidadania e tem o desejo de um país melhor. Entretanto, não é possível deixar de lado aquela parcela que é vítima de violência e que deve ser sempre lembrada”, finaliza.
Redes sociais podem ser o ‘gatilho’ político
No último feriado de 7 de setembro, um grupo realizou manifestação contra a corrupção no Parque Vitória Régia, em Bauru. Assim como vários outros exemplos pelo país, o movimento começou por uma rede social na internet. Segundo a pesquisa, 71% dos jovens concordam que usar a internet para mobilizar pessoas é uma forma de fazer política.
“Pode ser essa mecânica que falta para o movimento borbulhante atual. Pode criar uma consciência crítica e, mesmo que não seja um movimento de massas, pode funcionar. Temos vários exemplos de manifestações que partiram das redes e foram para as ruas”, explica a pesquisadora Loriza Almeida.
O jovem Diego Martins Pinto Guedes, 21 anos, utiliza concorda com o pensamento da pesquisadora, porém, alerta para o bom uso da tecnologia. “Vivemos em uma era a informação. As redes sociais podem estimular o jovem a se organizar realmente, como vem acontecendo. Mas, elas precisam ser bem usadas. E não de forma fútil, como muitas ainda fazem”, conclui.
Mercado de trabalho
A pesquisa apurou que 55% dos jovens sonham em se formar e conseguir um bom emprego. Para 22%, o objetivo é conseguir o “emprego dos sonhos”, trabalhando exatamente naquilo que gosta.
Luiz Fernando Ramalho, 22 anos, está no segundo ano de relações públicas. Ele, que além de estudante trabalha como recuperador de crédito, acredita que o mercado está promissor para quem quer trabalhar.
“Acho que as pessoas querem os empregos só nas áreas delas. Por isso, muitos reclamam de desemprego. Eu, por exemplo, estudo em uma área e trabalho em outra. Tem que batalhar”, completa.
‘Jeitinho brasileiro’
O que muitos acham positivo e se vangloriam de ser intrínseco ao povo brasileiro, para o estudante João Gabriel Santos, 21 anos, deveria ser abolido. Ele fala do popular “jeitinho” brasileiro”. “Para o país ir para frente, isso tem que mudar urgente”, ressalta.
E ele não está sozinho. De acordo com a pesquisa, 52% dos jovens projetam que, em cinco anos, o Brasil será o país da criatividade e não do tal “jeitinho”. “A pessoa tem que acabar com a corrupção existente nela mesmo. Mudando e agindo de forma honesta, ela vai influenciar seu grupo”, completa João Gabriel, em convergência com o dado obtido no estudo de que 56% dos jovens acredita que a transformação ocorre com a honestidade diária.