São Paulo - O ministro da Educação, Fernando Haddad, e os deputados federais Carlos Zarattini e Jilmar Tatto mantiveram seus nomes como pré-candidatos para a Prefeitura de São Paulo. O senador Eduardo Suplicy anunciou a desistência dele e o apoio a Haddad, o preferido do ex-presidente Lula à corrida eleitoral do ano que vem para o cargo.
Pouco antes de ter anunciado oficialmente a desistência durante debates promovidos pelo partido, Suplicy sinalizou que queria surpreender os mais de mil militantes presentes no evento. “Vocês vão ter uma surpresa”, disse, antes do discurso. Muitos acreditavam que ele manteria o nome na votação marcada pelo partido para o dia 27, já que do encontro de ontem não saiu um nome único para a disputa. “A partir de hoje me incorporo na campanha do ministro Haddad”, afirmou, no final do seu discurso. “Espero contribuir para levá-lo a vitória”. Suplicy contou à reportagem que sua desistência foi selada no final da noite de anteontem, quando ele ligou para o deputado Paulo Teixeira e pediu que ele intermediasse um acordo. Suplicy renunciaria e apoiaria Haddad se este incorporasse sua principal bandeira, que é o programa “renda mínima”. Segundo Suplicy, ele recebeu, por volta das 23h3
de anteontem, a ligação de Teixeira confirmando que Haddad havia aceitado o pedido.
Suplicy contou que foi convencido a desistir da disputa por militantes. “Recebi dezenas de e-mails e mensagens de aliados defendendo o meu trabalho no Senado e pedindo que eu não deixasse o cargo.”
Haddad quer evitar prévias
Fernando Haddad disse que irá manter negociações para tentar evitar as prévias do partido para a escolha de um nome único para a Prefeitura de São Paulo. O primeiro turno das prévias está marcado para o próximo dia 27. “Vamos continuar com o diálogo aberto com todos os pré-candidatos”, afirmou Haddad, o favorito para a disputa ao cargo pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No evento do PT, realizado ontem na região de Guaianases, na zona Leste da cidade
Durante discurso, Haddad prometeu incorporar propostas dos demais candidatos do PT que desistirem da pré-candidatura. A inclusão da “renda mínima”, de Suplicy, garantiu o apoio do senador, como havia sido negociado na noite de sábado.
O deputado Jilmar Tatto, um dos pré-candidatos, avaliou que a desistência de Suplicy à pré-candidatura fortalece a candidatura dele próprio. Tatto acredita que, por militar há bastante tempo em São Paulo, sua candidatura vai incorporar apoio tanto de Marta Suplicy (que desistiu da disputa a pedido da presidente Dilma Rousseff), quanto de Eduardo Suplicy.
Tatto avaliou que a saída de Suplicy da disputa representa a realização do desejo do ex-presidente Lula, de o PT apresentar um nome novo para eleição de São Paulo. “Agora é uma disputa entre iguais”.
O deputado Carlos Zarattini, o terceiro pré-candidato do PT ao cargo, avaliou que a desistência de Suplicy era natural devido à proximidade com Haddad. Segundo ele, a decisão do senador diminui a chance de segundo turno dentro nas prévias. “Quanto mais candidatos, mais as prévias são fortalecidas”, afirmou.