08 de julho de 2026
Articulistas

É fácil ser bom, difícil é ser justo!

Valderez de Mello
| Tempo de leitura: 2 min

Legislar para provocar prosperidade é um caminho que a primeira vista se mostra encantado, onde, tal e qual os contos infantis, todos serão felizes para sempre! Porém, para que a prosperidade seja contínua e verdadeira, os caminhos não são tão mágicos, tampouco tão oníricos. Há pedras, espinhos, aridez, lutas e muita perseverança. Ninguém conquista coisa alguma sem trabalho, sem renúncia, sem tenacidade.

Outrora, para a aquisição de um pedaço de chão imperativo economizar muito, e para edificar a moradia carecia de tempo e planejamento até a obtenção do habite-se. Enfim, nada era doado, tudo era conquistado. Hoje a invasão de terras tornou-se coisa banal e o direito de propriedade jaz sepultado em cova rasa e com direito a cândida pá de cal.

A inversão de valores marcha a passos largos: luz, água, isenção de impostos, moradia, casa, vale gás, bolsa família, material escolar, uniformes, vale transporte, alimentação, tudo doado em nome da prosperidade. O seguro desemprego convertido em verdadeira licença prêmio e o auxílio detenção a laurear a prática do crime. Tudo debitado nas rechonchudas contas da união. Famílias desestruturadas, crianças e idosos entregues às responsabilidades das instituições e a sociedade fragilizada e carente reverencia a fada da demagogia em troca de silente submissão. Já bem dizia Adrian Rogers: "É impossível levar à prosperidade através de legislações. Cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber o que realmente merece. O governo não pode dar para alguém aquilo que tira de outro alguém. Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação."

A prosperidade seria equitativa, se para tanto não onerasse uns em detrimento de outros e sagrasse, sem diferenciação, a propriedade maior do homem: um trabalho digno e bem remunerado. Contudo, o que ressalta aos olhos é a desvalorização dos educadores, a miserabilidade dos aposentados e a tributação exacerbada a sufocar o pequeno empreendedor com a áspera corda atarraxada pelas vigorosas mãos do fisco. Notório é o famélico abocanhar do governo nos valores arrecadados para efetuar o mefistofélico e degradante escambo do amém eleitoreiro pelo dinheiro de plástico. Fazer cortesia com o chapéu alheio, além de injusto é muito feio!


A autora, Valderez de Mello, é advogada, pedagoga e psicopedagoga. Autora do livro "Lágrimas Brasileiras". No prelo, "A Velha Adormecida" - valdemello@gmail.com