08 de julho de 2026
Política

Rodrigo espera Andreoli para troca

Nelson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) disse ontem que conversou com o presidente do PR, o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, com quem ficou acertado que a mudança no comando do Departamento de Água e Esgoto (DAE) será realizada após o retorno do atual presidente da autarquia, André Luiz Andreoli. Ele não foi localizado ontem pelo JC e a informação é a de que está em viagem para a Argentina.

Andreoli participaria de um congresso e deve retornar a Bauru após o feriado (15 de novembro). O próprio presidente do DAE já havia indicado internamente que não veria ambiente para permanecer no cargo. Ontem, o prefeito consolidou a necessidade de troca, a quarta indicação no comando da autarquia em seu governo, e elencou os problemas enfrentados por André Andreoli.
"Eu conversei com o Fernando Monti hoje (ontem). Discutimos os problemas em relação ao DAE e decidi que faremos a mudança com o retorno do André Andreoli, na próxima semana. Vamos conversar com ele e promover a mudança. A ideia é escolher um nome bom, que atenda aos requisitos que não conseguimos preencher até agora, e não precisa com isso sem necessariamente alguém do PR", confirma Rodrigo, conforme antecipou o JC na edição de ontem.

O prefeito reforçou que o desgaste político, e perante a opinião pública, sobretudo os usuários, exige amadurecimento em torno da nova escolha. "Tentamos com perfil técnico e não deu certo, porque precisa ter outros requisitos. Não podemos mais errar nessa avaliação do perfil porque a necessidade de revitalizar o DAE não pode esperar. O André Andreoli sempre esteve tranquilo a respeito de seu papel de colaborar e sempre deixou muito tranquila a situação de sua permanência ou não. Portanto, vamos conversar com ele no retorno de sua viagem e até lá analisar a melhor saída para o perfil no DAE", acrescenta.

Ambiente da troca


Como elencou o JC na edição de ontem, a nova troca no DAE tem vários ingredientes. De um lado, as deficiências de gestão levantadas pelo JC nos últimos anos e, de outro, nesta fase, a dificuldade do engenheiro André Luiz Andreoli em lidar com os obstáculos internos e externos.
A autarquia enfrenta, desde o início do governo Rodrigo, enorme dificuldade em lidar com suas limitações operacionais e mesmo resolver problemas que, bem ou mal, eram superados nos últimos anos (como substituição eficiente de bombas em poços e menor incidência de queimas). Mas desajustes em ações e serviços específicos (como os problemas em escala na leitura dos consumos e o aumento nos indicadores de vazamentos sem capacidade rápida de reparo nas ruas) também contribuíram para o desgaste e a queda dos últimos presidentes. Outras situações administrativas pesam sobre o consumidor, como falta de água em vários bairros.
No atual governo o DAE teve três presidentes nomeados. Paulo Sérgio Campanha ficou de 1 de janeiro de 2009 até o final de março do mesmo ano. Rafael Ribeiro ficou na presidência até 29 de novembro de 2010. E agora, André Luiz Andreoli, que assumiu no dia 6 de dezembro de 2010.

Mas o DAE também precisa rever a "reserva de mercado" que impera em algumas áreas internas, com menos de 10 servidores se revezando no "comando" operacional e administrativo há anos. A situação seria normal se não significasse o distanciamento dos presidentes (cargos indicados) das rédeas das ações internas.

Para piorar, a concentração de poder operacional ou estratégico na mão de poucos há anos produziu, como consequência principal, um DAE cada vez mais refém de um grupo ou alguns "daeanos" mais antigos. Quebrar essa trajetória sem perder o controle ou suportando inclusive o boicote silencioso interno tem sido um desafio para os últimos presidentes.

Há uma base operacional valiosa, que se esforça, mas "três ou quatro cabeças do sistema" que dão sorriso indicativo de colaboração para o presidente, na antessala de reunião, mas que, na prática, trabalham "fechando torneiras" no campo sempre que a mão pesada do chefe da vez aparece, ou a ausência de comando se instala.

Outro erro do governo Rodrigo foi dar guarida á fragmentação de indicações meramente políticas para as assessorias. Inúmeros dos cargos ligados ao gabinete são apenas para acomodação. O presidente, de fato, não conta com muitos para trabalhar pela gestão. Mas Andreoli teve de aceitar a regra do jogo político, ampliando seu isolamento por culpa, neste caso, também do prefeito e, em parte, do PR que não lhe deu suporte para resistir ás encomendas.

Experiente e com boa dose de antídotos das mazelas da gestão pública acumuladas em sua trajetória profissional, Fernando Monti percebeu há meses os problemas "escondidos a olho nu, por dentro das engrenagens do DAE": "o DAE precisa não só da substituição de comando, mas de um plano de ação que anule esses efeitos nocivos internos e que dê vida operacional à autarquia independentemente dessas manifestações ou ações, inclusive contra os boicotes", sentenciou em um dos trechos da entrevista de anteontem.

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Avaliação do prefeito


O prefeito Rodrigo Agostinho definiu os problemas e sua avaliação sobre o atual presidente do DAE ainda na terça-feira: "Eu aprendi a gostar muito do André Andreoli, um cara extremamente inteligente, que passei a respeitar inclusive pelas suas ponderações sem rodeios e equilibradas. Mas no trato com os servidores ele não foi nada bem e sua dificuldade político em lidar com os problemas de gestão, com as relações internas e sua forma distante de lidar com a imprensa, muitas vezes nem atendendo, criaram esse quadro difícil", falou Agostinho.

O que Rodrigo não tem aceitado com a mesma paciência de antes é o que chama de "ladainha pública" em torno da discussão sobre sucateamento.

"O que não dá é ficar ouvindo esse papo furado de que o DAE vem sendo sucateado para preparar para privatizar, terceirizar. Isso não tem o menor cabimento. A verdade é que o maquinário principal do DAE é dos anos 70, 80 e está velho mesmo. E foi trocado muito pouco, ou renovado há anos. Nós começamos a investir, mas o volume é pouco para a necessidade, reconheço. Mas não tem nada de privatização", afirmou.

Para Agostinho, tem hora que o prefeito tem de decidir e mudar. "O André sabe que bateu muito de frente com funcionário, onde é preciso ter sabedoria para driblar dificuldades e para ser firme quando preciso, mas com jeito. E com o público ele rejeitava falar, ficava distante da discussão e os problemas acontecendo e isso dificulta muito. Chega uma hora que tem de resolver", finalizou.