10 de julho de 2026
Articulistas

Eu não faria nova dívida com pendências financeiras e você?

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Com a chegada do final de ano e com ele o recebimento do décimo terceiro salário, vem à tona a discussão de qual seria o melhor destino deste recurso extra. Avaliar o destino do décimo terceiro sem deixar o lado racional prevalecer me parece loucura. Comece por analisar sua real situação financeira. Neste particular não é necessário estar inadimplente, basta pagar juros, por exemplo, no cheque especial ou cartão de crédito.

O raciocínio é simples: ao não conseguir pagar a fatura do cartão de crédito integralmente, automaticamente o devedor optou pelo financiamento do saldo não pago. A taxa de juros média nesta modalidade está na casa dos 11% ao mês. Isso mesmo, 11% ao mês. Na mesma linha está o cheque especial, que para muitos incorporou-se à renda. A taxa de juros média está na cassa dos 9% ao mês. A pergunta é objetiva: você continuaria a pagar juros para rolar essas modalidades, tendo em mãos o valor total ou até mesmo parte do dinheiro para cobrir estes empréstimos? A resposta nos parece óbvia.

Este é um lado da questão. Ocorre que há muitos consumidores que não estão nem aí quanto ao seu ímpeto em consumir. Possuem pendências financeiras e mesmo assim saem gastando sem critério. Fazem novas dívidas e empurram o problema para frente. Começam o ano endividados, mesmo sabendo que no início do ano chegam aqueles indesejados compromissos tais como matrícula escolar, material escolar, IPTU, IPVA, entre outros.

É evidente que iremos comemorar o Natal e a passagem de ano. Também é evidente que iremos presentear as pessoas, mas não há o menor interesse, mesmo para quem quer vender seus produtos, que as pessoas não consigam honrar os compromissos assumidos.

Os próprios bancos estão reforçando campanhas que levam as pessoas a refletir sobre suas finanças pessoais.

Se de um lado o ambiente é de consumo e seja natural que queiramos mesa farta e ainda alegrar os familiares e amigos com presentes, de outro lado é importante ter os pés no chão, gastando no limite da renda. Não seria nada coerente contrair nova dívida com pendências financeiras.

Faça boas escolhas e terá boa saúde financeira.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib e articulista do JC