08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A MINHA CESTA DE NATAL


| Tempo de leitura: 1 min

 
Vivi minha infância na década de 1950 na zona rural próximA a Bauru, onde o contato com mundo só era possível através do rádio. Uma coisa que me lembro bem era que na época do Natal falava-se muito numa tal Cesta de Natal  Colombo, que aliás eu nunca vi. 

Isso não impedia que eu e alguns amigos vivenciássemos a tão esperada data. Acho até que meu Natal era alegre e marcante e mais duradouro, na verdade, a alegria dos meus fins de anos e natais começava antes do verão. 

 Já nas primeiras chuvas da primavera o milagre da natureza explodia nos campos de cerrado as aves de plumagens renovada impressionadas pela beleza e variedade  de cores e cantos que misturavam-se nas copas das árvores, que com o verde refeito em folhas novas e adensadas  serviam de escondirijo aos ninhos.

Alguns animais pastavam avidamente os primeiros brotos de gramíneas que vicejavam após as queimadas que há poucos dias lambera os troncos enegrecidos das árvores.

O cerrado, que durante todo o inverno parecia feio e estéril, mostrava sua exuberância, beleza e vocação para a vida.

Eu ainda criança já conhecia os caprichos da natureza e percebia que estava chegando o tempo das frutas que só eram encontradas no cerrado e no final de ano. Chegava da escola e guardava rapidamente o bornalzinho com um caderno e um lápis, almoçava o que estivesse disponível sobre o fogão de lenha e já saia pela colônia, juntando-me aos coleguinhas que em grupo  afunilavam-se nas trilhas de areião em busca de gabiroba. Ali estava a minha Cesta de Natal.


Lázaro Carneiro