Ser a minoria também tem suas vantagens, ainda mais quando apenas você, em meio a tantos, pode gritar "é campeão". E é justamente esse o sentimento entre os raros, contudo não menos apaixonados, torcedores da Portuguesa em Bauru. Ainda na "ressaca" pelo título obtido pelo time do Canindé na semana passada, quando a Lusa garantiu por antecipação o primeiro lugar na Série B do Campeonato Brasileiro, primeiro troféu nacional erguido pelo clube, os luso-bauruenses celebram a conquista e o acesso à Série-A do ano que vem de olho na manutenção do elenco vencedor.
Felizes com a "liga" que o time deu, sob o comando do treinador Jorginho, que já se firma entre os principais nomes da chamada nova geração de técnicos, esses torcedores não querem saber sobre possíveis negociações, seja entre comissão técnica ou mesmo entre os jogadores. Entre esses lusitanos que sonham com a manutenção do plantel para o Campeonato Paulista e, obviamente, primeira divisão nacional no ano que vem, está o tatuador Wagner Leutz, de 48 anos.
Atualmente, ele garante que o sentimento em grau fanático está adormecido, mas não esconde a emoção em ver a Lusa (por que não?) campeã nacional pela primeira vez. "Agora dá para ter orgulho", vibra o ex-integrante da Leões da Fabulosa, maior torcida organizada que habita as arquibancadas e alambrados do estádio Osvaldo Teixeira Duarte.
Para ele, apenas a manutenção da base que levou a Portuguesa ao título e acesso históricos, já seria a garantia de um papel honroso na Série-A, principalmente, ressalva o torcedor, pela baixa condição técnica geral das equipes que integraram a elite nacional em 2011. "Pelo nível dos times na ?A? não penso que a Portuguesa seja obrigada a fazer grandes investimentos", opina. "Basta manter os jogadores, principalmente o Edno, que é craque, e o Jorginho", acredita. "Lógico que o elenco e treinador agora estão valorizados e é nisso (permanência) que o clube terá que gastar", acentua.
Leutz, diferentemente dos irmãos, todos santistas como manda o figurino da maioria das crianças e adolescentes crescidos na Baixada Santista ? ele morava no Guarujá quando se apaixonou pelas cores branca, verde e vermelha. "Meu irmão mais velho trabalhava de office-boy, era o único que tinha dinheiro. Ele nos presenteava com jogos de botões", lembra ele, que herdou o onze de plástico da Lusa pelo fato de ser o caçula, conta: os jogos de outras equipes grandes paulistas iam para os irmãos mais velhos.
Foi aí que a paixão despertou, relaciona o descendente de alemães, que, todas as semanas, deixava o Guarujá para acompanhar a Portuguesa, onde quer que seja. "Eu subia a serra, para assistir aos jogos.
Estava em todas as partidas no Canindé", recorda Leutz, que transmitiu o raro amor lusitano à filha Olívia de 15 anos, segundo ele, fanática e companheira cativa, agora no sofá, durante toda o passeio do Barcelusa pela Série-B do Brasileirão. O mais velho, conta ele, "desandou" em direção ao Parque São Jorge. Mesmo assim, recorda o pai, o filho manteve o sentimento e também acompanhou a campanha da Portuguesa.