Em uma espécie de transição nutricional, a famosa dupla arroz com feijão tem deixado de ser a protagonista da mesa do brasileiro dando lugar a alimentos industrializados, pratos comprados prontos, carnes gordurosas e embutidos em geral. Tal mudança se deve, em boa parte, à busca por agilidade e ao pouco tempo destinado às refeições.
Mas essa transformação tem revelado uma realidade preocupante, com estatísticas mostrando que 48,1% da população adulta do País está acima do peso e 15% são obesos. Os dados são da Pesquisa Vigitel 2010 (Sistema de Monitoramento de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas Não Transmissíveis por meio de Inquérito Telefônico), realizada pelo Ministério da Saúde.
O estudo ainda indica que 34% dos brasileiros comem alimentos com elevado teor de gordura, como as carnes. E o consumo de leite integral (também com gordura) ultrapassa os 56% dos entrevistados pela pesquisa. No caso do sal, a ingestão diária média é de 12 gramas, o que representa mais que o dobro do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A mesma pesquisa mostra que apenas 18,2% da população consome, diariamente, cinco ou mais porções de frutas e hortaliças, a quantidade recomendada, enquanto 28,1% bebem refrigerantes ao menos cinco dias por semana. Já o consumo regular de feijão, durante cinco ou mais dias da semana, atinge 66,7% da população.
Aditivos
Usados para realçar o paladar e aumentar o tempo de prateleira, os aditivos presentes nos alimentos industrializados (gordura saturada, sódio, açúcares e conservantes), quando consumidos em excesso, podem contribuir para o surgimento de doenças crônico-degenerativas como obesidade, diabetes e hipertensão.
Por isso, alertam nutricionistas, vale a pena ficar de olho nas embalagens na hora da compra. Normalmente, elas trazem a quantidade de gordura, sal e outras substâncias presentes, além da recomendação diária de cada elemento.
O consumo de uma refeição natural feita à base dos típicos arroz com feijão, certamente traz muitos benefícios à saúde humana. Segundo a nutricionista Fabiana Cogo, além de fornecer carboidratos complexos, o que libera energia para as atividades diárias e para o funcionamento adequado do sistema nervoso, o arroz e o feijão auxiliam no funcionamento intestinal.
Já a combinação dos aminoácidos presentes nestes alimentos contribui para o fornecimento de uma proteína de alto valor biológico, ou seja, melhor aproveitada pelo organismo. “Para melhorar ainda mais o valor nutritivo do prato, ele deve ser acompanhado de uma porção de carne magra, legumes e verduras”, acrescenta.
Eduardo do Amaral é gerente de compras de uma rede de supermercados de Bauru. Para ele, um exemplo de que o consumo de alimentos básicos, como os grãos, têm registrado queda são as próprias embalagens dos produtos.
“Elas estão menores para atrair a atenção do consumidor, que diminuiu a compra desses alimentos. Além de arroz em pacotes de um quilo, a indústria tem ampliado as ofertas. Risotos prontos e feijão cozido em pequenas porções fazem parte do leque de opções das refeições prontas nas prateleiras dos supermercados”.
Segundo avalia o gerente de compras, o consumidor busca a praticidade e a indústria alimentícia acompanhada tal mudança que é gradativa e irreversível.
Eduardo aponta ainda que, seguindo a tendência atual, as novas mudanças das prateleiras trarão pratos também prontos, contudo, mais saudáveis e com doses reduzidas de gorduras, sal e açúcar. “O primeiro pensar foi em praticidade. Agora, o foco será na saúde aliada à agilidade”, acredita.
___________________________________________
Prato saudável promete ‘virar mesa’
Em meio às inúmeras ofertas de pratos prontos e práticos e do contingente cada vez maior de adeptos da comida rápida (fast food), ganha destaque o outro lado da moeda: a valorização e a preocupação com a qualidade nutricional. O que você coloca no seu prato oferece os nutrientes adequados para a disposição, vitalidade e saúde do seu corpo?
A busca por melhorias na alimentação tem levado famosas lanchonetes do ramo de fast food a incluir frutas e saladas em seu cardápio e a reduzir os níveis de gorduras das batatas fritas, entre outros quitutes. Agora, entre o lanche, refrigerante e batata frita, os pequenos também têm frutas como opção.
E embora ainda não seja lei no estado de São Paulo, outra tendência está na proibição dos colégios em vender refrigerantes, sucos artificiais, frituras, balas, chicletes com açúcar e outros doces nas cantinas.
Preocupada com a qualidade de vida e saúde, a funcionária pública Marta Gonçalves decidiu procurar uma nutricionista para adequar a alimentação de toda a família. Diariamente, frutas, verduras e legumes em maior quantidade e variedade foram a solução encontrada. O suco de couve, rico em ferro e cálcio, não fica fora da alimentação.
“Nunca tivemos problemas de obesidade ou outros transtornos relacionados à alimentação, então, a mudança foi feita realmente para melhorar a qualidade de vida pensando na alimentação e nos alimentos energéticos”.
E como resultado, Marta afirma que em apenas duas semanas sentiu grande melhora na energia das crianças para os estudos. “Quanto a mim, que trabalho o dia todo, a disposição aumentou significativamente. O sono também ganhou mais qualidade”, garante.
Tais benefícios sentidos por Marta são explicados pela nutricionista Sylvia Tosi. “O prato deve ser colorido por verduras e legumes, alimentos que são ricos em vitaminas e sais minerais, elementos que protegem, fortalecem e aumentam as defesas do organismo contra as doenças em geral. Já as folhas promovem a saciedade”.
O prato considerado ideal deve agregar carboidratos, cuja combinação perfeita é a do arroz e feijão, dupla que o novo brasileiro tem deixado de lado. As proteínas também não podem faltar nas principais refeições, exemplos são as carnes vermelhas, brancas e a soja. “A gordura é fundamental porque fixa em nosso organismo as vitaminas A, D, E e K, chamadas lipossolúveis. Mas deve ser ingerida com moderação”.
Fora de casa
Como garantir uma alimentação balanceada com o corre-corre diário? Para quem tem pouco tempo para o almoço ou para preparar a comida e levar para o trabalho, especialistas recomendam fazer as refeições em restaurantes por quilo, devido à diversidade e quantidade de saladas cruas e legumes oferecidos por tais estabelecimentos.
Contudo, é preciso ter cuidado para não cair em tentação e se render às maioneses, carnes empanadas, bolinhos fritos, pastéis, salgadinhos... Quando a oferta é muito grande, o prato pode ficar bem maior do que o necessário.
Já os legumes, quando refogados, devem sem consumidos em quantidade pequena por levarem muito óleo na preparação, normalmente. E quando o almoço vem em marmitas, a dificuldade maior está na pouca quantidade de verduras e legumes que dão lugar ao carboidrato. Nesse caso, a dica é levar os vegetais da casa para o trabalho, principalmente os crus, e enriquecer a marmita.
_____________________________________________________
Hábitos saudáveis devem começar ‘dentro da lancheira’ da garotada
Toda criança já ouviu de um adulto que comer açúcar demais faz mal. Contudo, principalmente para os pequenos, ficar longe de doces ou comer moderadamente é tarefa quase impossível, mas necessária. E segundo o Ministério da Saúde, o açúcar é consumido de forma exagerada por mais de 60% da população brasileira.
Fabiana Pelegrin Cogo dos Santos é nutricionista do Colégio Dinâmico e do Centro de Convivência Infantil Gente Miúda (CCI) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru. Ela explica que o açúcar é considerado um vilão das dietas por ser um ingrediente de caloria vazia, ou seja, possuir alto teor calórico com baixo valor nutricional.
“Além de não ter quantidade significativa de nutrientes, os doces contribuem para a formação de cáries e possuem em sua composição substâncias químicas que, em excesso, são nocivas à saúde”.
Contudo, uma boa notícia para os amantes do doce sabor é que o seu consumo não é proibido em uma alimentação equilibrada, porém, tal ingestão deve ser moderada. No caso das crianças que não dispensam o sabor do açúcar, a nutricionista aconselha os pais a substituírem aos poucos as guloseimas por frutas adicionadas ou não de mel, barrinhas de cereais e bolos não confeitados.
Quanto ao lanche escolar, ao contrário do que muitos pais fazem, ele não deve ser preparado visando a praticidade e a preferência dos filhos, mas sim a nutrição e a reposição dos nutrientes.
De acordo com Fabiana, os lanches preparados com alimentos naturais possuem maior valor nutritivo, porém existem muitas opções industrializadas que associam a praticidade à boa nutrição, como alguns tipos de pães, bolos e biscoitos integrais, que oferecem redução de açúcar e gordura. Barrinhas de cereais, sucos de fruta, água de coco, leite fermentado, queijos e iogurtes são outras boas opções para a lancheira.
“A criança deve levar para a escola alimentos que equilibrem uma porção de fruta ou suco, uma porção de carboidratos, de preferência integral, pode ser pão, biscoito sem recheio ou bolo não confeitado, e uma porção de proteína.
A última indicação pode variar entre laticínio - queijo branco, requeijão, leite fermentado, iogurte -, ou carne- presunto, peito de peru, patê de frango, atum... “Dessa forma, nossos filhos serão alimentados com nutrição, o que garantirá melhor desenvolvimento, desempenho escolar e diminuirá as chances de doenças”, finaliza Fabiana.