Damasco - A Liga Árabe decidiu ontem suspender a Síria, dez dias depois do fracasso do acordo com o regime do ditador Bashar Assad para encerrar os violentos confrontos entre tropas do regime e manifestantes da oposição.
A organização alertou ainda que vai impor sanções econômicas e políticas contra a Síria até que termine a repressão, e pediu aos outros 21 Estados membros que retirem seus embaixadores do país.
A decisão foi anunciada pelo ministro de Relações Exteriores do Qatar, Hamad bin Yasem al Zani, após reunião com seus colegas da Liga. Ele disse que as medidas entrarão em vigor na próxima quarta-feira.
A suspensão era reivindicada pela oposição a Assad, que está há 11 anos no poder.
Al Zani afirmou ainda que a Liga convidou a oposição para conversar sobre “uma visão unificada para o período de transição” no país.
“Nós fomos criticados por levar muito tempo (para a suspensão), mas isso foi porque estávamos preocupados com a Síria”, disse Al Zani a repórteres, no Cairo. “Nós precisávamos da maioria para aprovar estas medidas”.
Apesar da pressão do Ocidente para que os vizinhos árabes isolassem Assad, países como Líbano, Iêmen e Argélia temiam que uma maior pressão sobre a Síria pudesse levar a protestos em suas próprias nações.
Fracasso
No início da semana passada, a Liga chegou a oferecer um “mapa do caminho” à Síria, que previa o início do diálogo com a oposição em duas semanas e a retirada de tanques e outros tipos de armamento das ruas.
No último dia 2, a Síria disse ter aceitado a proposta sem restrições, mas, desde então, houve violentos episódios de repressão às manifestações pró-democracia.
Segundo estimativas dos ativistas, foram 250 mortos apenas nas duas últimas semanas. No total, segundo a ONU, mais de 3.500 pessoas morreram, desde março.
O representante da Síria na Liga Árabe classificou a suspensão de “ilegal” e disse que a decisão “põe fim à ação árabe comum e prova que a administração (da Liga Árabe) segue o programa ditado pelos EUA e os ocidentais”.