09 de julho de 2026
Geral

?Bauruenses pelo mundo? se unem

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Tudo o que começa de forma despretensiosa sempre tem maior probabilidade de sucesso. Faça um teste. Nos churrascos que fez entre seus amigos ou familiares, qual foi o mais animado: aquele que levou semanas de planejamento ou um encontro movido pela vontade instantânea e saudade de curtir umas horas com as pessoas que mais gosta?

E foi justamente da maneira mais despojada que o "Bauruenses pelo Mundo", já tradicional evento que reúne amigos nascidos e criados em Bauru, mas que, por razões profissionais, alçaram destino a outras cidades, nasceu.

Organizada desde 2005 por Celso Carvalho, ou "Borboleta" para os amigos mais próximos (apelido é o que não falta entre o pessoal), a festa, em seus primórdios, celebrava o aniversário de seu idealizador.

Contudo, conforme amigos de outras regiões atendiam ao chamado de churrasco, cerveja gelada e recordações de uma Bauru que hoje está apenas no campo da memória e da saudade, a celebração ganhou o tom da nostalgia, o que não significa falta de alegria e boas recordações. E foi justamente essa a tônica durante mais um encontro, realizado na sede de sempre, a Granja Cecília, entre cerca de 200 amigos de longa data e quilometragem.

É o caso do empresário Mauro Carvalho Júnior. Bauruense da gema, mas cuiabano por força do destino, percorreu os mais de 1,3 mil quilômetros entre a capital matogrossense e a cidade sem limites especialmente para curtir a festa, rever amigos, a cidade natal e, principalmente, ouvir histórias e risos. "Reviver o passado faz a gente sonhar com o futuro", filosofa o empresário, ou "Ameba", para os amigos. "O pessoal no Mato Grosso não sabe do meu apelido", diz, logo após ser "denunciado". "Mas não tem problema, vou leva o jornal para eles verem", garante, sem dar pelota para o "bullying do bem".

Saudados com um banner que expõe poema de Vinícius de Moraes sobre amizade, onde declama: "Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos", os participantes fizeram as saudades da infância e juventude em Bauru se dissiparem com a fumaça da churrasqueira, como se o tempo não tivesse passado.

O organizador Carvalho lembra que, além dos amigos que moram longe, os encontros anuais também fortalecem os vínculos de quem está perto, mas que, pelas circunstâncias impostas pela correria cotidiana, se vêem, praticamente, apenas nos eventos. "É diferente, o dia-a-dia as vezes nos impede de vermos amigos que estão próximos, separados pelas obrigações impostas pelas profissões que cada um seguiu", observa o médico bauruense Júlio Rodrigues Horta Filho.

No entanto, a festa tem um maior sabor de volta ao passado para aqueles que caíram na estrada. Entre eles, o engenheiro João Batista Afonso, o "Dido", que, 40 anos após deixar Bauru - hoje mora em São Paulo -, reencontrou uma cidade totalmente diferente daquela que habitava sua memória.

Caso semelhante do gerente de indústria automobilística Carlos Augusto Telle. Hoje em Campinas, após sair de Belo Horizonte, ele conta que há 20 anos não pisava na terra branca de Bauru.

Quem também gastou sola para reecontrar os amigos foi o engenheiro eletricista Aléxis Pegoraro de Souza. Bauruense de nascimento e cuiabano há 20 anos, ele conta não ter sentido qualquer desconforto sob o forte calor que castigava a cidade ontem à tarde, quando suava na sombra.

"Estou me sentido em Cuiabá", brincou, sob o forte calor que não fez evaporar o vínculo da turma. "O mais importante é que as antigas amizades continuam", valoriza o procurador de Justiça José Haroldo Segalla, que hoje mora em Brasília, onde trabalha no Ministério das Cidades.


O melhor é improvisar

Os reencontros entre antigos grupos de amigos também evidenciam legítimas "turmas dentro das turmas". É o caso do pessoal do TDS, ou "Todo o Sábado", que religiosamente, ou quase isso, se reúne todos os finais de semana para gelar a goela. "Só não nos encontramos quando chove", brinca o cirurgião dentista Sylvio Angrisani. "Não temos estatísticas, regras, nem nada. O mais bacana é se divertir, estar com os amigos, mas espontaneamente", ensina.