08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Qualidade, não quantidade!


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Problemas ambientais estão presentes no cotidiano, os mesmos podem afetar a saúde física e psicológica dos seres vivos. Temas como economia e política estão ligados ao assunto e são responsáveis pelo desenvolvimento sustentável, devendo tomar a frente do assunto para, quem sabe, encontrar soluções para essa situação. Poluição, desmatamento e caça excessiva são os principais problemas ambientais e a falta de conscientização do homem faz com que os problemas fiquem mais difíceis de se combater, acarretando desastres naturais. Porém, os problemas vão além da ação do ser humano sobre a natureza. De forma indireta, a política e a economia contribuem para o caos ecológico, mas podem contribuir também para o tão sonhado desenvolvimento sustentável. Quando falamos de Desenvolvimento Sustentável, nos vem à mente o avanço tecnológico, mas existe também o desenvolvimento sócio-econômico. Podemos citar alguns exemplos de ações humanas que agridem o ambiente. Um dos casos que mais preocupa os ambientalistas é a questão da água. Apenas 1% está disponível para consumo. Atualmente, essa quantidade é relativamente pequena se comparada a 7 bilhões de habitantes.

Situações do cotidiano como varrer a calçada ao invés de lavar, escovar os dentes com a torneira desligada, entre outras que muitas vezes não damos atenção, podem contribuir para que essa quantidade não diminua ainda mais. Um bom exemplo a ser citado é o caso da empresa Bayer, que incinera os produtos químicos utilizados. Outras empresas deveriam adotar essa prática. Teoricamente, as leis ambientais existem e há também a fiscalização, mas podemos concluir que a prática da fiscalização não funciona como deveria.

O caso de quatro assassinatos que ocorreram a pessoas que não fizeram nada além de denunciar o crime florestal pode ilustrar essa situação. O governo federal anunciou que iria ampliar o combate aos madeireiros ilegais, podendo assim, contribuir também com a segurança da população Amazonense. Foram liberados cerca de 500 mil reais para deslocar fiscalizadores para essa região. Outro assunto tomou conta do debate dos deputados, a respeito de aprovar ou não a nova lei florestal. "Não vamos admitir qualquer agressão ao meio ambiente. Se precisar ficar sozinha nesta questão [a presidente Dilma] ficará e vetará o ponto. Esta emenda é uma vergonha" , declarou o Deputado Federal Vaccarezza, se referindo a emenda 164, que dá poder aos estados de definir a política ambiental e tratar de áreas utilizadas irregularmente em Áreas de Preservação Permanente (APPs).

Porém, mais uma vez não foi isso que aconteceu. A 0h do dia 25 de maio de 2011, a emenda foi aprovada, causando polêmica. Com essas informações, não podemos afirmar que a degradação ambiental depende unicamente de nós, cidadãos. Depende muito mais dos políticos que, muitas vezes, e com exceção de alguns, pensam somente na economia. Para o governo brasileiro é viável aprovar leis como essa, que regulariza a situação de ocupações ilegais. Devemos pressionar o governo para saber como está o andamento de grandes obras, como a reforma e criação de estádios para a Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016, ambas no Brasil. De onde está saindo toda a matéria-prima utilizada?

Para se alcançar o Desenvolvimento Sustentável depende do planejamento e do reconhecimento de que os recursos naturais são finitos, mas podem ser renovados. Muitas vezes, desenvolvimento é confundido com crescimento econômico, que depende do consumo crescente de energia e recursos naturais. Esse tipo de desenvolvimento tende a ser insustentável, pois leva ao esgotamento dos recursos naturais dos quais a humanidade depende. Desses recursos depende não só a existência humana e a diversidade biológica, como o próprio crescimento econômico. O desenvolvimento sustentável sugere qualidade, e não quantidade.

Bárbara Wentz Gatti